O Capote

By  | 21 Abril, 2016 | 0 Comments | Filed under: Ana Marques, OPINIÃO

CapoteNa Costa da Caparica e mais precisamente na Rua dos pescadores, ainda existem algumas casas comerciais que perduram nos anos, apesar de, e para meu desgosto, serem cada vez menos, estando neste momento quase na sua totalidade, tomadas pelo comercio da china e Índia ou Países perto destes.

A Rua dos Pescadores, por volta de 1978, ano em que para lá fui viver, primava pela abundância de restaurantes, pastelarias e gelatarias com esplanadas vistosas, que conferiam à Rua um toque muito próprio, próprio de uma Vila costeira, com poucos residentes, na sua maioria pescadores e famílias, alguns artistas, que a escolhiam pelo mar pelas gentes, pelo sossego de Inverno e pelo bulício do Verão, ainda existia a tradição, entretanto perdida, de as senhoras se arranjaram com as suas melhores roupas de passeio para simplesmente subirem e descerem esta Rua e se encontrarem com as amigas numa das muitas esplanadas ali existentes, à época, onde beberricavam chá e bolos enquanto faziam croché e malha, trocando entre si ideias para novos trabalhos manuais.

Um perfeito exemplo disso, era o há muito extinto e reputado Café Costa Nova, que tinha para além de outras delicias doces, o famoso Claudino, numa receita até hoje mantida em segredo, sendo agora confecionado no café Capote.

Ora bem, é deste estabelecimento Comercial que já sofreu também algumas transformações, que lhes quero falar hoje, fica situado na Rua dos Pescadores, quase à sua entrada, vindos do não menos famoso e mais conhecido por largo da Costa ou do Mercado e tem neste momento como gerentes a Rita Ferrinho e o irmão, filhos de Manuel Ferrinho, por sua vez irmão do conhecido cozinheiro Carlos Capote, que teve um programa de culinária durante uns anos na TV.

Ninguém melhor que a própria Rita Ferrinho, para por palavras suas, contar a história deste antigo estabelecimento e diz a mesma, transcrevendo-a eu na integra:

“O edifício onde se encontra hoje a pastelaria O Capote pertence à família há várias gerações da família Capote, nome que se perdeu com as gerações.

Ambos os meus avós, António Pedroso e Leontina; pais do Manuel António Ferrinho ( meu pai) e Carlos Ferrinho, eram da Costa de Caparica, casaram e moraram aqui, novos decidiram ir para a Covilhã abrir um negócio, Restaurante, onde estiveram algum tempo, ambos os filhos nasceram cá, mas viveram lá durante a infância.

Depois decidiram vir para cá e no antigo Capote Restaurante abriram uma Tasca em meados de 1970, só mais tarde o meu pai, Manuel Ferrinho e Tio Carlos Ferrinho, abriram o Restaurante o Capote.

Ambos se casaram com mulheres da terra, e moram na Costa desde sempre, somos uma família bastante antiga da Costa.

O restaurante fechou portas em 2007 e passou a ser a Pastelaria O Capote.

Fundada em 1984, a Pastelaria O Capote completa este ano 30 anos de tradição no fabrico próprio de pastelaria na Costa da Caparica.

Quando os irmãos Carlos e Manuel Ferrinho decidiram preservar as receitas do antigo Costa Nova, garantiram a continuidade da genuína receita original dos Claudinos, inalterada e mantida em segredo pelos sucessivos pasteleiros que a foram conhecendo e que pertenciam à mesma família.

Ainda hoje é das mãos de um pasteleiro desse tempo que continuam a sair os Claudinos, os Garibaldis e demais pastelaria d’O Capote.

Hoje a Pastelaria O Capote segue pela mão dos filhos de Manuel Ferrinho, Rita e Ricardo Ferrinho que asseguram a continuidade desta deliciosa tradição, mantendo o fabrico próprio, onde toda a pastelaria, doce ou salgada, é produzida artesanalmente com a receita dos antigos.

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