Milagre de Fátima

A Universidade Popular da Gandaia organiza uma conferência de Luís Filipe Torgal em que apresenta o seu livro: “O Sol Bailou ao Meio Dia – A Criação de Fátima”.

A Conferência terá lugar na sexta feira dia 24 de fevereiro, no Auditório Costa da Caparica, no Centro Comercial O Pescador, com início às 21:30 horas.

Luís Filipe Torgal é mestre em História Económica e Social Contemporânea e doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra, onde é investigador no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX. Estudioso da Primeira República, organizou e prefaciou a reedição de Na Cova dos Leões – Fátima: Cartas ao Cardeal Cerejeira, de Tomás da Fonseca, e a antologia Religião, República, Educação, que reúne textos do mesmo autor. Colaborou nas obras História Comparada – Portugal, Europa e o Mundo, Dicionário Biográfico Parlamentar (1935-74), Dicionário de História da I República e do Republicanismo e é co-autor de Machado Santos (1875-1921) – O Intransigente da República.

Relativamente a esta obra, produto de uma aturada investigação académica, o autor situa-a da seguinte forma: “A separação da Igreja e do Estado, as aparições de Fátima e a sua intrumentalização pela Igreja Católica As aparições de Fátima (1917) ocorreram num dos momentos económicos, sociais e políticos mais difíceis e mais dramáticos da História de Portugal, que bem podia sistematizar-se na trilogia do caos: «fome, peste e guerra». Nesse período, mas, sobretudo, anos antes, havia-se registado uma grande ofensiva dos governos republicanos em defesa da laicização do Estado e da secularização da sociedade, que acabou por restringir como nunca os privilégios e as liberdades da Igreja Católica. Rebentou a Primeira Guerra Mundial, onde Portugal teve uma participação controversa e trágica. Estoiraram motins e rebeliões. Proliferaram epidemias agudas de tifo e varíola e eclodiu depois a pandemia da «gripe pneumónica». Acentuou-se a crise económica e financeira, que gerou inflação galopante, falta de víveres essenciais, racionamento, pobreza, miséria e fome. Nesta conjuntura de extrema adversidade, surgiu, na Cova da Iria, um culto popular espontâneo que logo se propagou num país católico, rural, analfabeto e dado a superstições e a devoções messiânicas. Um culto popular que — como este livro pretende demonstrar — a Igreja Católica desde muito cedo estimulou, disciplinou, enquadrou ideologicamente e apresentou, com grande sucesso, a Portugal e ao Mundo.”

Uma oportunidade muito especial para discutir um dos períodos históricos mais problemáticos, mas também um fenómeno internacional que, de resto, justifica a visita papal em Maio.

 

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