Almada Dança em Boa Companhia 

By  | 26 Novembro, 2018 | 0 Comments | Filed under: Notícias

Se uma cidade se caracteriza pela cultura que proporciona à sua comunidade, a 26.ª Quinzena de Dança de Almada, que decorreu em Outubro, é uma excelente premissa para dar a conhecer o expoente máximo desta arte no concelho, a Companhia de Dança de Almada Ca.DA.

Maria Franco, directora e fundadora da Ca.DA, é o par ideal para nos conduzir nesta dança pelo percurso da Companhia e dar a conhecer o seu espaço na Academia Almadense.

Professora há 42 anos, começou aqui na Academia, onde a  Companhia de Dança de Almada surge em 1990, ainda como Grupo de Dança de Almada, como recorda, na altura, a escola ganhou o prémio da crítica dum concurso a nível nacional, o que foi um trampolim para que a Câmara Municipal de Almada nos apoiasse e nós começássemos como grupo de dança de Almada”.

A Companhia de Dança de Almada surge em 1998, com alteração de estatuto do nome, e com objectivos concretos, como explica a sua fundadora: “Primeiro dar um percurso artístico a jovens bailarinos e proporcionar-lhes uma carreira artística como profissionais, depois porque era importante para a afirmação da dança, para o desenvolvimento da dança em Portugal haver uma companhia de dança, na altura éramos muito poucos. Havia a Companhia Nacional de Bailado, o Ballet Gulbenkian e pouco mais”.

A Ca.DA faz questão que as suas estreias sejam sempre em Almada, sendo depois apresentadas em digressões por todo o país. Para além das novas criações, alguns dos espectáculos em circulação estão em reportório e continuam a ser apresentados, como o “Fobos” ou “Dentro do Abraço”, “sobretudo quando são estes projectos de inserção social, onde vamos buscar pessoas da comunidade para serem inseridas no espectáculo”.

Neste último, apresentado em Estarreja este ano, fizeram workshops prévios com crianças com deficiências e depois inseriram-nas na apresentação final do espetáculo. O mesmo aconteceu com crianças na Croácia, onde também levaram a peça “Dentro do Abraço”.

Existem ainda os espectáculos que lhes são solicitados enquanto companhia de dança, para espaços informais, como as estreia em 2018 para a Casa da Cerca, ou para o Convento dos Capuchos.

A fundadora orgulha-se pela Ca.DA ser uma Companhia que sempre incentivou os artistas, bailarinos e coreógrafos a apresentar as suas criações, e apostando neles em nome da arte, “muita gente que deu os primeiros passos aqui, nós demos sempre essa oportunidade, o que é raro porque é um risco, é um grande investimento que se tem de fazer e pode não resultar.” Maria Franco considera que a Ca.DA. tem um público fiel em Almada.

26.ª Quinzena de Dança de Almada

Criada em 1992, a Quinzena de Dança de Almada realizou-se de 21 de Setembro a 20 de Outubro. “p.s. Carmen”, foi o espetáculo de abertura da quinzena, inspirado pela ópera “Carmen”, de Bizet e dirigido por Maria Franco.

Incluída no festival, a Plataforma Coreográfica Internacional deu espaço à participação de 20 companhias e criadores independentes de dança contemporânea de todo o mundo, tornando-se num importante ponto de encontro para coreógrafos e bailarinos. 

A Plataforma Coreográfica Internacional consiste “naquele conjunto de coreógrafos que juntamos num programa, com 20 minutos de peça, e apresentamos em cinco espectáculos”. A Ca.DAoportunidade a “coreógrafos portugueses que trabalham no estrangeiro de virem cá apresentar o seu trabalho, fazerem intercâmbio de experiências e conhecimento, partilharem o trabalho uns com os outros, observarem o que se faz em toda a parte do mundo em relação à dança contemporânea”.

Ainda neste âmbito, do incentivo a jovens artistas e apoio na coprodução, a directora faz referência à peça “As voltas que a terra dá – Teatro para bebés”, que estreou no Auditório durante a 26.ª Quinzena de Dança de Almada, com crianças em palco acompanhadas de adultos.

Os participantes Quinzena de Dança de Almada “variam todos os anos, com exceção de alguns pela qualidade que demonstraram repetem com outras criações e trabalhos. As características das companhias e dos grupos são diferentes, é importante que cada um destes espaços sejam adequados às necessidades da própria companhia”, explica a professora.

Por isso, se para uns o mês Agosto representa férias, para a Companhia de Dança de Almada, é um mês de trabalho exaustivo, com toda a produção e logística associadas. Maria Franco contextualiza, “a Academia Almadense é o único lugar em que temos alguma possibilidade de organizar em termos de programação, pois os outros espaços como como o Teatro Municipal Joaquim Benite e o Auditório Fernando Lopes-Graça, no Fórum Municipal Romeu Correia, estão sujeitos à sua própria programação para nos cederem as sala para apresentarmos os nossos espectáculos”. Como consequência destas variantes, tiveram de alargar o âmbito desta quinzena, que afinal durou um mês.

A Mostra de videodança é outra das temáticas do festival, que tem vindo a receber cada vez mais candidaturas. Maria Franco reconhece que “há uma procura internacional muito grande do nosso festival, e esse reconhecimento tem sido notório todos os anos”.

A qualidade das candidaturas recebidas tende a ser superior, assim como a sua quantidade, podem chegar às 200, o que dificulta a selecção das mesmas por parte da Ca.Da, que não tem capacidade orçamental para dar corpo a todas as que deseja.

O financiamento da CMA para a Quinzena de Dança de Almada, no valor de € 22,5 mil euros, tem-se mantido o mesmo na última década, “o que não nos dá hipóteses de evoluir muito”, como admite a directora, “temos de fazer um esforço, apesar deste ano termos tido um complemento da DGARTES para o festival”.

Apoios

A Companhia de Dança de Almada é financiada pela DGARTES, como Companhia, escola de formação e ações e sensibilização de públicos. Ficou até em primeiro lugar do concurso, na área da dança, não a nível financeiro, mas no que respeita ao projecto mais valorizado e mais votado em termos de pontuação.

Maria Franco recorda anos bastante complicados quando perderam o apoio do Ministério da Cultura com a mudança de Governo, “se os grupos culturais não tiverem financiamento acabam, não há hipótese. Se não fosse com o contributo da CMA, que tem sido constante, não tínhamos conseguido”.

Nós queremos sempre que as pessoas estejam mais envolvidas, mas para isso teríamos de ter um financiamento um bocadinho diferente para chegar a mais público, para fazer muito mais divulgação”, reconhece a directora, que não esquece outros apoios igualmente importantes como a mais-valia que é poder fazer apresentações de espectáculos no auditório do Teatro Municipal de Almada.

Em relação ao futuro da Ca.DA, fica a expectativa do que vai acontecer. “Não sei quais as políticas que vão mudar em relação à CMA. Espero que reconheçam o que nós enquanto Companhia estamos a fazer para que nos seja dado o devido apoio. A Companhia tem uma estrutura, não se enquadra em concursos de candidaturas para projectos pontuais”, por isso não pode ser avaliada pelos mesmos parâmetros.

Para além desta vertente de dança profissional e criação artística, a Companhia de Dança de Almada tem ainda a vertente de formação, com a sua escola de dança.

Ca.Da Escola

A escola de dança tem cursos livres para quem pretende aprender dança enquanto complemento da sua formação artística ou como atividade física e lúdica, e cursos vocacionais, destinado aos alunos que optem por uma formação artística regular e intensiva. Neste âmbito vocacional, a existência dum Estúdio Coreográfico proporciona aos alunos experiências coreográficas, e disciplinas como Reportório clássico e contemporâneo, onde os alunos são convidados a apresentarem o seu trabalho ao público.

Entre os cursos livres e vocacionais, a Ca.Da Escola tem cerca de 230, 240 alunos. A capacidade máxima de cada estúdios ronda 16 alunos em média, que se juntam todos após o horário escolar, e por esta razão a escola não pode admitir mais alunos, embora as listas de espera sejam extensas. 

Com seis professores fixos de ensino artístico, dança criativa, clássica, contemporânea, este ano têm pela 1ª vez um curso de ensino articulado, que foi aprovado pelo Ministério, e embora ainda em período experimental, conta com cinco alunos da escola D. António da Escola.

A Dança para Todos é um projecto da Companhia Dança de Almada que aposta “ quer na formação e sensibilização para novos públicos, como ir às escolas fazer aulas, convidarmos crianças a assistirem aos nossos, quer na intervenção social com a comunidade, com associações. Exemplo disso é o caso do Centro Juvenil e Comunitário Padre Amadeu Pinto, em que trazemos crianças aos nossos estúdios e fazemos ateliers de formação para eles perceberem que existem outros contextos sociais, e no final convidamos os pais a assistirem a uma apresentação do trabalho deles. Outras vamos nós ao próprio espaço fazer apresentações.”

Dançar é a minha vida”

Ser bailarino é uma profissão que exige muito treino e muito trabalho para quem quiser chegar a um nível profissional, reforça Maria Franco.

No entanto, para quem quiser levar a dança duma forma mais descontraída, a fundadora da Ca.Da lembra que esta “ é muito importante para o desenvolvimento social, cultural, psicológico, de integração. A dança não é só uma actividade lúdica e física, obriga as pessoas a pensarem, a criarem, a conhecerem o seu próprio corpo. O movimento criativo é muito importante para todas as idades, não precisa de ter uma técnica associada, faz com que as crianças desenvolvam as suas capacidades criativas e os seniores as suas capacidades motoras. A dança é para toda a gente!”.

E como ao Notícias da Gandaia, esta parece uma excelente ideia para deixar no ar, pegamos no corpo do nosso texto, pomos-nos em movimento e entre danças e contra danças nos despedimos, com a esperança que esta Dança tenha todo o “espaço” que precisa para poder ser arte e cultura.

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