A Drogaria Amaral

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Loja emblemática da cidade da Costa da Caparica pela sua antiguidade, especificidade e diversidade, a história da Drogaria Amaral remonta a 1942, tendo por isso já mais de 70 anos e podendo já ser considerada como um local de interesse histórico, que nos transporta às nossas mais felizes memórias de infância e ao modo de vida de eras passadas, principalmente porque este tipo de lojas estão praticamente em extinção no nosso país.

Antes de falarmos um pouco sobre a história desta loja, e sobre a opinião do seu proprietário sobre o seu negócio e sobre o mercado em geral, há um facto que gostaríamos de sublinhar pela sua importância e valor: a Drogaria Amaral esforça-se por trabalhar apenas com fornecedores nacionais, valorizando e promovendo, deste modo, a manutenção da indústria e o desenvolvimento da economia nacional.

História

A loja foi iniciada por volta de 1942 por Mário Amaral dos Santos, pai do actual Senhor Amaral, que partilha quase exactamente o mesmo nome, não fosse o Correia da mãe a seguir ao nome próprio, e quando abriu era uma Mercearia chamada Beira Mar, um daqueles estabelecimentos antigos com taberna dum lado e mercearia do outro, gerida pelo casal Amaral, que tinha todos aqueles artigos que se podiam comprar a peso, à colher, à medida ou à fatia, como era típico da época, sendo que muitos destes artigos vendidos avulso foram posteriormente proibidos com a entrada na Comunidade Europeia.

Em 1946, ano do nascimento do actual Senhor Amaral, segundo o que lhe foi contado, todo o prédio sofreu obras de reconstrução passando duma estrutura de alvenaria rudimentar a um edifício de betão, mas a mercearia manteve-se aberta.

Mário Correia Amaral dos Santos fez o antigo sétimo ano em Portugal, tendo ido depois estudar para a Alemanha, onde Amaral2concluiu um curso técnico de metalomecânica na Escola de Engenharia e quando regressou, por volta de 1970, a loja dos seus pais já era uma drogaria. Procurando a sua independência, esteve cerca de 11 anos e meio a trabalhar na indústria, em diversas fábricas, mas no início dos anos 80, devido, segundo ele, à turbulência política que o país atravessava naquela altura, decidiu dar seguimento e desenvolver a loja do pai.

Actualidade e Futuro

Agora, 30 anos depois, Mário Amaral pensa que já só devem existir 5 ou 6 drogarias deste tipo em todo o país, considerando toda a diversidade da gama de ferragens, ferramentas, utilidades domésticas e artigos antigos, que já são difíceis de encontrar noutros locais, e sublinha que um dos grandes benefícios do comércio local, e uma das suas grandes apostas, se consubstancia no atendimento personalizado que possibilita ensinar muitos clientes em como usar diversas ferramentas e utensílios, ou em como montar uma torneira ou uma fechadura, ajudando desta forma as pessoas a poder resolver os seus problemas sozinhas, sem ter de recorrer ou pagar serviços especializados.

Questionado sobre as especificidades e dificuldades do seu negócio e do mercado em geral, o Senhor Amaral informou, tal como referimos antes, que a Drogaria Amaral trabalha quase exclusivamente com fornecedores portugueses, explicitando que quase todos os seus artigos são oriundos do norte de Portugal, provenientes de fábricas a norte de Rio Maior e de algumas outras a norte de Águeda e que sente falta de muitas das fábricas que faliram por motivos de insolvência, situação que o obrigou a deixar de ter muitos dos produtos que ainda fazem falta aos clientes, tais como certo tipo de ferramentas ou ferragens, que agora as pessoas têm de ir comprar ou encomendar a outros sítios que tenham artigos estrangeiros, prejudicando a economia do país.

Em termos de concorrência e clientela, considera ainda que mais do que as lojas chinesas, ou outras lojas de rua que partilhem alguns dos seus artigos, os seus maiores concorrentes são as grandes superfícies e os hipermercados que fazem até com que a clientela mais jovem já não entre na sua loja, mas disse que não existe uma grande diferença estatística entre sexos, pois embora os homens sejam maiores clientes na área das ferragens e ferramentas, tem muitas senhoras a comprar artigos para o lar. Tem também alguns clientes estrangeiros na altura do Verão, que procuram essencialmente saca-rolhas e facas e considera que o facto de falarem várias línguas ajuda no negócio.

Em relação à crise diz que factura agora cerca de 40% do que facturava há 7 ou 8 anos atrás e que os anos 80/90 foram a melhor altura do seu negócio porque foram os anos em que as pessoas podiam comprar tudo o que queriam. A loja é arrendada e, sendo empresário em nome individual, refere que o IRS, o IVA e os encargos sociais são os imposto que mais lhe pesam o que torna a gestão difícil quando acrescidos de todas os encargos legais relacionados com extintores, aluguer do espaço público, medicina no trabalho e despesas correntes de salários, electricidade e telefone e água.

Amaral1A loja tem agora três empregados fixos, e antigamente costumava contratar mais alguns no Verão, mas agora já não o faz. Pensa que a redução do número de horas laborais foram prejudiciais ao seu negócio e à economia em geral, não aumentando a empregabilidade, e obrigando-o a reduzir o horário de trabalho. Os empregados demoram cerca de dois anos até conhecer todos os artigos e suas especificidades e considera que faltam escolas de formação profissional, e que era essencial haver uma correspondência entre o Ministério de Educação e as PME deste tipo, que possibilitasse ter aprendizes com o 9º ano os quais, ao fim de 3/4 anos, pudessem ser oficiais da profissão que escolhessem. Os actuais cursos profissionais só servem, na sua opinião, para criar estatística e afirma que foi um grande erro destruir as antigas escolas profissionais e industriais, de onde saíam técnicos, e que depois serviam de trampolim para a universidade.

Para quem queira abrir novos negócios, o Sr. Mário Amaral avisa sobre a importância de serem feitos estudos de mercado e estudos da zona, tendo em atenção aquilo que faz falta na Costa da Caparica, pois só assim se poderá reforçar o mercado local contra as grandes superfícies, mas acha que de qualquer modo o comércio local está condenado à extinção, porque tem a desvantagem do preço/quantidade face aos hipermercados, e sublinha não entender como se podem continuar a licenciar grandes superfícies neste país.

Em relação à Costa da Caparica, afirma ainda que é necessário criar mais atractivos turísticos e apostar mais na limpeza e na ordenação do território.

Tem ainda o receio que o oceano invada a costa, facto que ele acha que não demorará muitos anos, e não entende como é que ainda não se deu solução a tal problema, já que a mesma foi apresentada pelo LNEC nos anos 50, nunca tendo sido todavia posta em prática no território da Costa da Caparica.

Esperemos que não. E esperemos que a Drogaria Amaral e todo o restante comércio local de valor se possa manter por muitos anos. Vamos todos lutar por isso. Estamos consigo Sr. Mário Amaral.

2 Responses to A Drogaria Amaral

  1. Pedro 23 Novembro, 2018 at 10:16 PM

    O sr amaral nao faz qualquer investimento na loja, esta tudo velho e estragado, trata mal os jovens chegando mesmo a discutir com eles , mau hambiente na loja discusoes constantes, despediu os proprios filhos, pelo que nao se aconselha qualquer compra nesta loja

  2. Fernando Barreiros 16 Abril, 2014 at 11:18 PM

    Ora aqui está uma bela história mesmo para um cliente da Drogaria Amaral, como eu, que há já quase 30 anos a contacta com frequência, mas não sabia pormenores relatados na peça. Parabéns pela reportagem!

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