Os políticos são todos iguais? Claro que não. Constituem uma espécie nociva que se deve exterminar? Claro que não. Os partidos são uma degenerescência das sociedades? Claro que não. Políticos e partidos são o suporte da democracia e, pessoalmente, acredito que a democracia, com todos os seus defeitos, é o melhor sistema político jamais criado pela humanidade.
Dito isto, Portugal tem tido enormes problemas com a sua classe política. Isto é outra maneira de dizer que os Portugueses têm problemas profundos para resolver, pois é claro que os nossos políticos não são criados a partir de uma incubadora tenebrosa e educados numa instituição longínqua, separada da nossa sociedade. Não. Somos todos nós – a nossa sociedade – que se reflete na política e nos políticos.
Aquilo que criticamos nos distantes membros do governo e nas suas ações, podemos também encontrar logo ali no virar da esquina. Se não podemos demitir o ministro que aldraba e vigariza, podemos, pelo menos, mostrar má cara ao vizinho que aldraba e vigariza ou, no mínimo, demonstrar que ele não é merecedor do nosso respeito. Porém, não o fazemos. Temos até a vaga ilusão de que a nós não nos enganou, “não é nada comigo”, pensamos. Obviamente, não só é um engano, como dá no que estamos a ver.
O pior é que se reagimos assim com a coisa pública, desfalques em institutos e empresas públicas, mas também em associações, sindicatos e clubes desportivos, só para dar exemplos do “não foi a mim”.
Pelo contrário, já existe uma reação imediata e eloquente se uma garota usa uma mini saia mais arrojada na escola, ou dois namorados dão uma beijoca mais repenicada em público: isso é que é ultraje!
Numa entrevista que fiz há pouco tempo, um velho pescador confessava que na Costa sempre fomos desunidos, porém, quando havia algum problema com alguém de fora, todos se juntavam. Já os romanos comentavam que nós não nos sabíamos governar, mas também não nos deixávamos governar.
Assim, tomei de empréstimo o título de Gabriel Garcia Marquez, autor incomparável do realismo fantástico. Como se vê, é mais do fantástico do que do realismo pois, acreditem ou não, estes senhores que “lá” estão agora, imaginem quem os elegeu?
Dá para entender? Claro que não. Mas entendamos ou não, vamos pagá-las, ai vamos, vamos…

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