António Neves: “a Costa da Caparica fica gravemente prejudicada!”

O presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica considerou hoje que o encerramento do programa Polis no final de 2013 vai “prejudicar gravemente” a cidade, a nível social e económico, deixando muitos projetos por fazer.

O novo conselho de administração da Sociedade CostaPolis, responsável pela execução do programa de requalificação urbana e valorização ambiental, aprovou “uma nova reprogramação”, que prevê que a instituição termine o seu trabalho no final do próximo ano, como “estabelecido anteriormente”, avançou à Lusa fonte do Ministério do Ambiente.

Por outro lado, devem ficar definidos quais os trabalhos a realizar até lá, tendo em conta “os meios financeiros efetivamente disponíveis até essa data” para a realização das intervenções, sem implicar novos investimentos do Estado.

“Se for de facto essa a solução, a Costa de Caparica fica gravemente prejudicada nos seus interesses, quer sociais, quer económicos, quer turísticos, e no seu desenvolvimento sustentável”, disse à Lusa o presidente da junta de freguesia, António Neves (PSD).

Afirmando falar “com todo o desencanto”, o autarca considerou que o programa Polis da Costa de Caparica “está à beira da morte” e elencou o que fica por fazer.

“Temos um problema: o programa é constituído por sete planos de pormenor. Não acredito que, em ano e meio, consigamos fazer os cinco planos de pormenor” que ainda não começaram, admitiu.

Dos sete planos previstos inicialmente, só dois estão concluídos – o do Jardim Urbano e o da Frente Urbana de Praias – e precisam “urgentemente de manutenção”, alertou o autarca.

Ficam também a faltar vários equipamentos, como hotéis e infraestruturas turísticas, cuja construção estava prevista, bem como a reconversão do Bairro do Campo da Bola e o reordenamento da zona dos parques de campismo.

“Ninguém acredita que em 2013 o programa Polis esteja acabado. Se a Sociedade acaba em 2013, ou inventam outra coisa qualquer para acabar os trabalhos, ou então o programa Polis morre ali”, lamentou.

A Costa de Caparica “continua a ser uma terra adiada: nada do que se começa, acaba”, disse.

“Eu vejo o Algarve, Costa Vicentina, Cascais, Oeiras, Carcavelos, vai-se fazendo. Na Costa de Caparica nada se pode fazer. A Caparica não pode desenvolver-se? Não pode ser uma terra de turismo, como são a maior parte destas terras?”, perguntou.

O programa Polis da Caparica, o maior do país, foi lançado em 2001 e deveria estar concluído cinco anos depois, mas foi sofrendo sucessivos atrasos, que António Neves justificou com um “encadear de situações”, como providências cautelares, demoras na entrega das verbas, os efeitos da crise e a inexistência, durante mais de um ano, de um conselho de administração da Sociedade – que apenas foi eleito em abril.

O programa foi lançado com investimento de 214,5 milhões de euros, dos quais cerca de metade resultantes da venda de património, como terrenos para hotéis e para edificação e a exploração de parques de estacionamento e dos apoios de praia.

“Neste momento temo que não seja possível” obter o financiamento necessário, dada a atual situação financeira do país, disse o autarca.

A Junta de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal de Almada estão a aguardar uma reunião com a ministra Assunção Cristas para discutir o futuro do programa, referiu António Neves.

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Esta notícia foi publicada pelo Sapo Notícias com origem na Lusa. Veja aqui o artigo original.

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