Crónica Diferente

sapatos0001Uma crónica diferente…

É neste mês que se comemora o dia de Natal e, lembrando a tradição, vou pôr estes sapatinhos junto à lareira para receber os presentes nesta noite em que se trocam prendas, algumas prendas raras, como a Solidariedade, a Partilha, o Amor, neste mundo, mais complicado, com os Homens virando as costas a outros Homens, onde a violência e o ódio criam raízes todos os dias…Um Mundo onde se agride a Natureza e onde a destruição dos recursos naturais, da fauna e da flora, a falta de água e de alimentos, provocam, cada dia que passa, a morte de milhares de crianças…e estes sapatinhos pequenos estão nos pés de uma criança, o meu bisneto Vasco, que ainda não tem dois anos, e é no futuro dele que penso, e no de muitas crianças como ele, que vivem neste Planeta e me são tão queridas.

Os teus sapatinhos têm o formato de outros que eu usei, durante mais de vinte anos, quando na arena dourada, gostava de bater as palmas a um toiro bravo, desafiá-lo e recebê-lo, no meu  peito de jovem, e sentir o seu bafo quente nos meus joelhos, ou então agarrar-me a ele, na cernelha, e lá ficar até ele resolver parar.

Daqui a alguns anos, quando tu, meu querido Vasco, já fores crescido, e se quiseres também bater as palmas aos toiros, desejo do fundo do coração que esses toiros bravos ainda continuem a pastar nos montados de azinho e sobro do nosso querido Alentejo, ou nas lezírias e charnecas do castiço Ribatejo, contribuindo para a preservação da Natureza desses espaços, onde, em Liberdade, crescem e se desenvolvem, tornando o campo tão belo com a sua presença de animais pujantes de força, de bravura, e de rara beleza…e que os Homens os tragam às praças, para que outros Homens os admirem das bancadas e outros os enfrentem na arena, com a Arte mais pura que eles criaram…eles que ajudam os animais mas que estão sempre prontos a abrir o coração para ajudar as crianças a não morrerem de fome e de sede, num Mundo mais humanizado, em que reine a Paz, a Liberdade e a Esperança.

Aos meus leitores peço desculpa se os desiludi, com este texto que hoje escrevi para vós, mas é isto que me enche a Alma, esta vontade de deitar cá para fora alguma dor, mas também amor, num ano que me trouxe alguma tristeza…para os que cá estão e podem ler esta crónica diferente, o meu abraço fraterno e desejo de Festas Felizes…para os outros, aqueles que já partiram, a minha imensa Saudade.

 

António José Zuzarte, Costa da Caparica, 21 de Novembro de 2016.

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