Debate Autárquicas Almada: PS e PCP em confronto

O debate autárquico com todos os candidatos a Almada, transmitido esta quarta-feira à noite pela RTP3, em notícia no jornal Expresso.

O debate autárquico entre candidatos à Câmara de Almada ficou marcado pela críticas acesas entre Inês de Medeiros e Maria das Dores Meira. Comunistas fecham a porta a qualquer entendimento pós-eleitoral com o PS. Socialistas prometem falar com todos os eleitos, mas dizem: “não podemos voltar atrás”. PSD e Bloco disponíveis para diálogo.

Foi logo no arranque do debate autárquico com todos os candidatos a Almada, transmitido esta quarta-feira à noite pela RTP3, que a cabeça de lista da CDU abriu as hostilidades. “Tendo em conta a estagnação e a situação muito má” em que se encontra o concelho depois de quatro anos de gestão socialista e “com a mesma equipa que não tem capacidade para governar Almada”, Maria das Dores Meira não tem dúvidas: “com o PS não será feita coligação”, nem haverá entendimentos pós-eleitorais.

Não espanta, por isso, que Inês de Medeiros, a atual presidente da Câmara e recandidata pelo PS, tenha sido o alvo principal das intervenções da candidata comunista no primeiro debate televisivo. Às acusações iniciais de “falta de capacidade”, juntavam-se, mais tarde, criticas às propostas “eleitoralistas, sem qualquer suporte legal” ou à “gestão opaca” e “em grande conflito institucional e com os trabalhadores municipais” que Dores Meira vê como marcas da gestão socialista da Câmara. Além do mais, houve o projeto de construção de 3.500 casas, “anunciado com grande pompa e circunstância e com muitos ministros e tudo”, que se saldou em nada. “Nem um começou. Não houve execução nenhuma”, apontou Dores Meira.

Inês de Medeiros não devolveu com a mesma moeda. “Há quatro anos foram feitos convites a todas as forças políticas [para a governabilidade da Câmara] e com a CDU foi até com quem mais conversações houve”, lembrou a autarca. Com o próximo resultado eleitoral, promete repetir o modelo. “Farei o mesmo que fiz há quatro anos”, prometeu a autarca, que guardou para o fim do debate o combate direto com a adversária de esquerda.

Os planos de habitação foram a arma de arremesso e Inês de Medeiros respondeu às acusações de nada ter sido feito. “Já há três lotes cujo concurso de arquitetura está finalizado e cujo concurso de construção está a avançar”, disse, lembrando como a Câmara “encontrou 700 pessoas com a mesma identificação”, uma herança das necessidades habitacionais deixada pelos comunistas e que mostra “a pouca atenção que a CDU dava à habitação”. “É demagogia”, acusou a socialista na cara de Dores Meira. “Não basta proclamar a verdade e a honestidade, é preciso prová-la todos os dias”, concluiu.

Do lado dos restantes candidatos a um lugar na gestão autárquica, tanto o candidato da coligação de direita, Nuno Matias, do PSD, como Joana Mortágua, candidata pelo Bloco de Esquerda, mostraram disponibilidade para um diálogo pós-eleitoral com o PS. Se o cenário das próximas eleições se repetir e os socialistas segurarem a Câmara sem maioria absoluta, “a nossa disponibilidade é a mesma”, diz o candidato social-democrata. “Sempre tivemos disponibilidade com o PS e não recusamos o diálogo”, disse Joana Mortágua.

As “linhas vermelhas” do Bloco são a de não “governar com a direita” e nisso incluem qualquer entendimento do PS com o PSD (como aquele que vigorou no último mandato em Almada). “Estas eleições vão-se disputar em torno de maiorias: à esquerda ou à direita”, antecipa a candidata bloquista, dando como certo e seguro que nenhuma maioria absoluta vai ser alcançada, seja qual for o partido vencedor.

A deputada bloquista pode ser o fiel da balança de um novo acordo autárquico e aproveitou o debate para marcar terreno. A propósito da expansão do metro do Sul do Tejo, referiu-se ao anúncio feito por Inês de Medeiros de que haveria um aval do Governo e um compromisso do próprio primeiro-ministro de que o investimento podia avançar. “Desafio António Costa a confirmar que o investimento será feito e a dizer em que documentos ele está previsto”, disse Joana Mortágua perante as câmaras. O desafio ficou feito. O Bloco quer ficar a saber se a “promessa eleitoral” é, afinal, apenas “uma conversa privada entre dois camaradas do PS, porque não é desta forma que se tratam os grandes investimentos em Almada”. Inês de Medeiros não respondeu.

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