Excelente Teatro

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Fotografia de Jorge Feliciano

A companhia “Teatro na Gandaia” acaba de estrear a sua nova produção no Auditório Costa da Caparica: “Vestido de Noiva” do prestigiado dramaturgo Nelson Rodrigues. Este espetáculo foi dirigido por Rui Cerveira, que pela primeira vez transpôs a fronteira do ator para o encenador.

Ninguém diria.

Como se pode confirmar nas próximas sextas e sábados, o espetáculo é complexo e foi dirigido com extrema maestria. Sejam os atores, seja a cenografia, revelam-se subtis, elaborados e harmoniosos, construindo nas suas partes devidas um espetáculo interessante, que se vai revelando à medida que a trama, igualmente complexa, se desdobra.

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Fotografia de Jorge Feliciano

Os atores, também eles, demonstram grande entrega e arte, ultrapassando claramente a categoria de amador, apesar de o serem mesmo. Na verdade, a maioria é muito experiente. Mas quem poderá apontar os mais experientes daqueles que apenas agora, ou recentemente começaram? Louros, não só para os autores pelo que fazem mas também, uma vez mais, para o encenador, que os conduz e aperfeiçoa.

Este é realmente um outro passo, decidido e mais seguro, desta companhia “Teatro na Gandaia” que apresenta a sua segunda produção e teima em afirmar a cultura na Costa da Caparica.

JorgeFeliciano3Naturalmente, uma palavra é devida também à qualidade do texto, de resto, aquele que consagrou Nelson Rodrigues na dramaturgia brasileira e não só. Frequentemente classificado como um drama psicológico, gostaria mais de convocar aqui o construtivismo do que o genérico psicologismo. De facto, com a cena tripartida, classificada normalmente num espaço imaginário/alucinatório, outro de memória e ainda um outro da “realidade”, na minha opinião, esses são espaços que se oferecem aos espetadores para, cada um deles, (re)construir aquele drama, construção que doseia e se compõe de todas essas componentes, mas sem fronteiras assim tão bem demarcadas.JorgeFeliciano1

Seja como for, como se pode ver, trata-se de um espetáculo denso, próprio para saborear, e com textura bastante para demorar na fruição, não só através da nossa atenção, perante o palco, mas também na compreensão que progride e alimenta o nosso espírito, mesmo para além do espetáculo propriamente dito.

Numa palavra: prazer…

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