O Capitão da Subida do Cova da Piedade

SAM_1976Tem 37 anos, está no futebol desde que se lembra, foi Campeão Europeu, já jogou na I Divisão e é presentemente o capitão de equipa do Cova da Piedade (CDCP) que garantiu, a 30 de Abril, a subida à II Liga.

Na Costa da Caparica, de onde é natural, encontrámo-nos com Ricardo Aires para ficar a saber que clima se tem vivido por estes dias no clube e conhecer ainda toda a sua experiência pelo mundo do futebol.

Assim para início de conversa, é inevitável adiar esta questão. Na ressaca da subida à II Liga qual é o ambiente que se vive no clube? Já acalmou ou ainda existe uma certa euforia no geral?

Naturalmente já acalmou, mas vivemos ali uns dias após o culminar da nossa vitória… Foi uma subida indescritível! Como já foi falado em vários órgão de Comunicação Social, aquilo foi um caso único para a cidade, para o clube, ninguém esperava uma coisa daquelas no início da época. Acalmou um bocadinho mas nós vivemos um clima eufórico mais controlado, dentro dos nossos balneários, até porque no dia 5 ainda temos um jogo a disputar que é para a Final do Campeonato, para ver se realmente somos campeões nacionais. Apesar de já termos subido de divisão ainda não sabemos se somos campeões nacionais.

Qual a importância de um capitão na gestão da motivação e segurança da equipa em campo?

É de grande importância, até porque normalmente o capitão é conhecido como o líder da equipa. Existe o treinador, que depois incute essa responsabilidade e deposita toda a confiança no capitão para dar seguimento à conversa e ao que se fala dentro do campo. Eu tenho de ser o primeiro a mostrar-me motivado e a incutir a motivação ao resto da equipa, porque se o líder da equipa não mostrar essa motivação e essa segurança talvez a mensagem não passe tão forte.

Isso que acabou de dizer conduz-nos a outra questão: Como é a sua relação com o treinador? O capitão funciona como também um porta-voz da equipa?

Máxima confiança. Como eu lhe disse, [o capitão] é um porta-voz de muitas ideias que o treinador transmite e que dentro de campo, às vezes não consegue fazer chegar a sua voz, ou porque está longe ou porque o ambiente não o possibilita, e é o capitão que se chega à frente. É de referir também, pois acho que é justo, eu sou o capitão principal mas na estrutura existem mais 3 capitães, não é só a minha voz que se ouve. No entanto, sendo o capitão principal, a minha voz é certamente a 1ª a ser ouvida. Somos vários e eu acho que é importante realçar isso também, esse espírito de grupo que é muito forte.

Os resultados da equipa estão à vista com a subida de divisão. Duma forma geral, o que achou da prestação do CDCP nesta época?

Essa pergunta é pertinente. Duma forma geral acho que foi justo, demonstrámos desde o início do Campeonato até à fase de acesso à subida de divisão que fomos a melhor equipa. Ficámos em 1º, com mais 6 pontos, depois nessa fase derradeira que é a de subida de divisão voltámos a mostrar a nossa superioridade. Foi talvez um pouco de surpresa para quem não conhecia o Cova da Piedade em si, mas o nosso clube, desde o princípio, foi formado com uma grande consciência, um grupo forte e bastante competente e eu acho que esse foi um dos segredos.

Acredita que o Cova da Piedade ainda pode ascender mais? Acredita que tem hipóteses de um dia poder chegar à I Divisão?

É uma pergunta optimista, acaba por ser legítima porque também ninguém esperava que o Cova da Piedade subisse à II Liga e a verdade é que conseguiu subir. Eu acho que as coisas têm de ser feitas passo a passo, com alguma cabeça. Agora é cimentar, no fundo, uma coisa que ninguém esperava, o Cova da Piedade na II Liga e a partir daí porque não? O clube tem todas as condições para isso, tem infraestruturas, resta saber se a cidade o acompanhará ou não, para saber se esse sonho se tornará possível. Acho que sonhar não faz mal a ninguém!

Em campo, como sentem o apoio dos adeptos? Tem um papel relevante para a vossa prestação ou esta não depende também desse calor humano?

Eu penso que a massa associativa, os adeptos, os simpatizantes são uma peça importantíssima em muita coisa. Acho que o apoio é importantíssimo porque são eles a primeira voz, exteriormente, os primeiros incentivos que nós podemos ou não receber vêm deles. Ficou demonstrado no jogo contra o Angrense, que foi quando nós carimbámos a nossa subida de divisão, estavam cerca de 2500 pessoas e aí não tenho dúvidas nenhumas, eles foram mais um a ajudar para nós conseguirmos o objectivo. Portanto, penso que é muito importante a massa associativa estar do lado da equipa.

Quando os clubes ascendem têm uma maior projeção, o que é obviamente positivo. No entanto, não teme que com isso possam sair bons jogadores para outras equipas para voos mais altos?

Isso é uma boa questão. Claro que sim, uma equipa que demonstra a supremacia e a qualidade que nós tivemos durante o Campeonato inteiro, é possível que alguns jogadores sejam cobiçados e que agucem o apetite a várias equipas, até da Liga. Mas isso acaba por ser um trabalho e um prémio, se assim se pode dizer. Para este plantel que é tão experiente e já jogou em ligas mais superiores, é um prémio vermos que os nossos jovens com muita qualidade começam a ser falados e que podem sair para aqui ou para ali. É um risco que se corre, mas eu acho que tudo isso faz parte, não vejo nenhum problema aí.

É a sua 3ª época no CDCP, onde entrou em 2013. Quais as diferenças que mais destaca no clube desde o sua chegada até aos dias de hoje?

A nível de equipa técnica é a mesma, a que me foi buscar há 3 anos atrás. Não lhe vou dizer que não está melhor, porque nós evoluímos de ano para ano, mas a nível de rigor, disciplina, levam tudo ao pormenor, esta equipa técnica não faz nada ao acaso. Por isso, sinceramente, não vi grandes diferenças nem grandes mudanças. O que eu vi sim, a equipa técnica fez ver à estrutura em si que as coisas teriam de ser de forma diferente, foi de ano para ano que se foi notando mais organização, mais empenhamento, as pessoas a terem mais noção do que é a realidade. Acho que este foi o ano fundamental, fulcral, duma aposta não declarada para fora para a Comunicação Social, que o Cova da Piedade é candidato à subida, mas apenas dentro do próprio clube, com aquilo que se conseguiu organizar e juntar ficou visível que era possível. E então foi como eu disse, tudo pensado ao pormenor e notou-se desta última época para a 1ª época uma grande diferença, até porque a direcção mudou, as pessoas estavam mais cientes do que era este Campeonato, era a 3ª época seguida. E notou-se perfeitamente uma grande diferença, continuo a dizer que era bom para o CDCP e para toda a gente que todos os anos se notem melhorias nesse aspecto porque só assim se consegue evoluir. Se não for assim o sucesso não está garantido!

Com a subida de Divisão, o estádio vai precisar de alterações. Há fundos monetários para isso? Que outras mudanças são exigidas?

Vai precisar de uma reestruturação enorme. Não me cabe a mim dizer isto, mas como jogador de futebol que sou também sei as regras que são impostas. Nós temos um relvado sintético que não é permitido para a II Liga, logo aí vai ter de ser relva natural. Aproveito aqui também a deixa para dizer que no dia da subida de divisão, fomos recebidos nos Passos do Concelho pelo Vereador do Desporto, António Matos, que nos abriu as portas da Câmara. Foi uma recepção fantástica e na qual ele prometeu todo o apoio da Câmara Municipal de Almada, porque sem isso não vai ser possível. Será necessário colocar relvado novo, possivelmente o estádio terá de levar cadeiras porque tem de ter sempre os lugares numerados. A nível de estruturas, balneários, condições extra relvado, o CDCP se não é o melhor, porque existe o Vitória de Setúbal, anda muito perto na Margem Sul de ser dos melhores clubes a esse nível. Tem umas infraestruturas fantásticas para quem joga futebol, e nós que jogamos em divisões amadoras e agora vamos passar a jogar em profissionais não vamos notar muito essa diferença. Agora a questão do piso é inevitável, aí vão ter de fazer grandes alterações e a Câmara já se comprometeu a dar toda a ajuda possível.

É do conhecimento geral que os clubes mais pequenos não conseguem reunir tantos apoios e patrocínios. Como contornam esta situação? Com esta subida de divisão já se refletiram mudanças a este nível?

É a tal questão, mas eu aproveito para fazer um apelo porque eu acho que é justo. Se a cidade não estiver unida, e mais gente, que é toda bem-vinda. Eu falo como capitão, sem saber se para o ano estarei no CDCP ou não mas gostava de ver este projecto cimentado, com maior ou menor dificuldade. Acho que faria todo o sentido, já que subiu, para a próxima época não descer. Então é um apelo, cidade, Câmara Municipal, Juntas de Freguesia, patrocinadores, comércio local, apoiem porque vai ser benéfico para toda a gente. A próxima época vai trazer aqui todas as zonas do nosso país que vêm visitar a Cova da Piedade, vamos receber equipas de Norte a Sul, é um cartão-de-visita.

Recuando um bocadinho no tempo, como surgiu a paixão pelo futebol?

Desde sempre! Eu fui “educado” a ver futebol em casa, tive uma família que sempre gostou de desporto e especialmente de futebol. Comecei com 11 anos, curiosamente não comecei aqui no clube da terra, porque não havia escalão para me iniciar aqui. Então iniciei-me no Belenenses, onde fiz a minha formação toda, dos 11 aos 22, camadas jovens, séniores. Entretanto também fui Campeão em sub-16 pela Seleção Nacional, escalão de juvenis, depois participei num Campeonato do Mundo de sub-17, no Equador, ganhei o Campeonato da Europa, na Bélgica, e sempre sendo atleta do clube de futebol Os Belenenses. Começou desde cedo a paixão, não lhe consigo explicar, nós crescemos na rua a jogar à bola e foi um culminar. Lembro-me que nessa altura tentei a minha sorte no Belenenses, tinha 11 anos, fui tentar a minha sorte num escalão acima, que eu nem sabia, e mandaram-me ir para um escalão abaixo e há males que vêm por bem. Se calhar num escalão acima eu não tinha qualidade ou condições para ficar, e no escalão abaixo, que era mesmo o meu escalão, consegui-me projectar e ainda bem.

Jogou no Pescadores da Costa de Caparica (GDPCC). Como recorda esses tempos?
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Eu lembro-me perfeitamente, eu fui para a tropa com 22 anos, fui chamado já tardiamente. Tinham-me prometido que ao ser Campeão Europeu ficávamos livres da tropa mas houve um problema com o meu processo e então eu tive de cumprir o serviço militar. Então, o único clube que me restava, porque eu saía do quartel muito tarde, tendo contrato com o Belenenses na altura, era jogar no Costa. Com 22 anos, vim para a III Divisão, na altura, as pessoas da terra sensibilizaram-se ao máximo porque o clube passava por algumas dificuldades, era o último classificado e tinha poucas hipóteses. O objectivo era que os Pescadores ficassem esse ano na III Divisão, para não descer ao Distrital. Eu vim com o Costa em último, mas com muito trabalho e empenho, conseguimos que o clube se salvasse na última jornada. Entretanto eu saí e regressei ao Costa mais tarde, com 30 anos, e ainda joguei com o clube na III Divisão e na I Divisão Distrital.

Como foi encarada a sua chegada ao CDCP, vindo de um clube “rival”?

É uma história engraçada. Nessa altura, o CDCP estava no Distrital e o GDPCC também na I Distrital. O CDCP subiu, nesse ano, à III Divisão e o Costa manteve-se na I Divisão Distrital. E foi uma coincidência, porque CDCP e GDPCC eram rivais, sempre foram clubes que se chocaram muito a nível de adeptos e eu não esperava que o treinador, que nesta altura era o mesmo que teve o sucesso actual, me fizesse o convite para o CDCP. Logo que percebi que ele me estava a convidar, eu nem sequer olhei para trás, pus clubes à parte e ficou demonstrado com estas minhas três épocas que sou acarinhado por toda a gente do Cova da Piedade. Os mesmos adeptos que defendiam estas cores e eu defendia as minhas quando era dos Pescadores, agora são os primeiros a dar-me os parabéns, a pedir para eu ficar, para dar continuidade porque sou um excelente capitão. E como profissional ninguém tem nada a apontar-me porque eu defendo até à última gota de suor o emblema que eu represento e neste caso é o CDCP.

O ficar ou não mais uma época depende do quê?

Depende da vontade do treinador, da estrutura, não depende de mim. Eu vou fazer 38 anos em Setembro, sinto-me em perfeitas condições para continuar, se não me sentisse era o primeiro a dizer, até porque não querendo estar a puxar a brasa à minha sardinha, números são números. Eu nas últimas três épocas do CDCP devo ter sido o jogador mais utilizado, tenho a felicidade de não ter lesões e disciplinarmente, ao nível da arbitragem, não ser punido muitas vezes. Agora não depende de mim, depende da estrutura, do treinador, o futebol é mesmo isto e cá estarei para aguardar uma conversa, quer se continue ou não. Eu gostava de continuar, claro que sim!

Uns golos são mais memoráveis do que outros. Algum em particular que queira recordar?

Eu recordo-me perfeitamente do 1º golo que fiz pelo CDCP. O 1º golo oficial foi num Torneio, a equipa que subiu do Distrital de Setúbal jogou com a equipa que subiu do Distrital de Lisboa e eu marquei um penalti, mas depois foi em casa contra o Barreirense, marquei. Mas tenho de referir especialmente dois momentos que existiram nesta época, um jogo que era importantíssimo, foi contra o Pinhalnovense em casa, estava 0-0 aos 92 minutos, em que eu faço o 1-0 e o jogo acaba. Começámos a respirar melhor aí para o acesso de subida de divisão. E o outro foi no jogo que cimentou o acesso à fase de subida, que foi o jogo contra o Juventude Évora em casa, em que eu faço o 1-0, um jogo que até deu na CMTV.

A preparação física de um jogador é muito exigente. Como é que essa disciplina se manifesta em termos de alimentação, por exemplo?

Eu estou à vontade para falar disto porque eu cheguei ao CDCP com uns quilinhos a mais, e como eu sou uma pessoa disciplinada nesse campo e como a divisão em si exigia também algum cuidado, eu fui o próprio a pedir um plano alimentar para perder 2 a 3 Kg. Porque a exigência assim o pedia, porque o Campeonato era outro e porque quando entro, seja no que for, eu levo as coisas o mais a sério possível. Sou um apaixonado por aquilo que faço e tive de fazer tudo para me apresentar ao melhor nível, ser mais uma dor de cabeça para o treinador que me foi buscar, para lhe “dificultar” a vida e ele me pôr a jogar. Em tempo de competição tento seguir à risca, e com 37 anos também não seria possível se não fosse assim.

Que outras ocupações tem para além do futebol?

Neste momento dou treino aqui nos Pescadores, que é a formação que pertence ao Belenenses, aos meninos do escalão de 2005 e sou treinador principal dos juvenis dos Pescadores, estamos a fazer um trabalho engraçado, a atingir a subida de divisão também. No CDCP, conseguimos atingir a fase de subida, com os juvenis também consegui, só eu ainda não sei se vou subir ou não porque vai começar este domingo.

Como treinador, o que mais o estimula nesta actividade de ensinar futebol a crianças e juvenis?

Estimula-me muito poder transmitir as minhas vivências até aqui. Já joguei na I Liga, na II Liga, na III Divisão, já passei por todos os escalões, fui Campeão Europeu, tive uma boa formação de clube que é o Belenenses e fascina-me poder ensinar aquilo que eu aprendi. Eu tento sempre evoluir e transmitir aquilo que melhor sei e que melhor aprendo para os meus “miúdos”, uns de 16, 17 anos e os outros de 10.

Para além de jogar futebol, também canta fado. É um hobbie público ou fica-se pelas cantorias entre amigos?

Agora nestes últimos 3 meses até se tornou um bocadinho mais sério do que aquilo que eu pensava. Recebi um convite para cantar todas as quintas-feiras no restaurante Fado em Si, em Alfama. Às vezes ainda se estende para outros dias, porque há colegas que não podem e sou contactado para ir, deixando logo claro que a partir de sábado não o faço porque tenho jogo ao domingo, e quando jogo ao sábado à sexta-feira também não o faço. O fado é uma fonte de inspiração para mim, sempre foi, vem do meu pai e eu por brincadeira comecei a cantar e foram-me convidando e agora tornou-se um bocadinho mais sério.

A nível profissional, quais são os seus planos para o futuro?

Actualmente estou a tirar o 1º nível do curso de treinador, já estando a treinar os juvenis do Costa. É uma coisa que me fascina imenso, mas neste momento sou jogador de futebol ainda e não me fica muito bem pensar em ser treinador porque não estaria a ser leal com o treinador do CDCP.

Quando deixar de jogar, existe um plano B, ou pretende estar sempre ligado ao futebol?

Claro que sim, tenho um fascínio pelo futebol e até seria algum cinismo da minha parte não dizer que tenho essa vontade, de um dia vir a ser treinador.

Olhando agora para a I Divisão, no domingo ficará decidido quem ganha o campeonato. Quem é que acha que merece a taça?

No futebol, quem merece não é sempre o que ganha. O Benfica vai em 1º, com 2 pontos de avanço, se ganhar o Campeonato foi porque mereceu, na minha opinião. Eu estou à vontade porque eu não sou do Benfica, nem do Sporting, sou simpatizante do Belenenses, clube do qual já fui sócio porque fui lá formado. Às vezes o futebol não é justo, e nós sabemos porque cá andamos há muitos anos, mas se o Benfica ganhar é porque merece, assim como se o Sporting ganhar é porque merece. Neste momento, quem está mais bem posicionado é o Benfica e eu acho que, com maior ou menor dificuldade, o Benfica irá ser campeão.

Assim a título de provocação, fica uma última questão: Acha que o GDPCC tem hipóteses de subir para a 2ª Divisão também, tal como o CDCP?

Custe a quem custar ler aquilo que eu vou dizer, se o Costa da Caparica estiver nas mãos das pessoas certas, não sabendo eu quem são, pessoas organizadas, disciplinadas, rigorosas e que reestruturem ali grande parte daquilo que os meus olhos vêem diariamente como infraestruturas, acessos, porque não pensar nisso? Tem de haver muita organização, pessoas a pensar no clube e não a pensar no seu próprio êxito.

Isso é uma crítica à actual direção?

Não sei se é uma crítica à direção actual ou não, porque eu estou na formação e não estou diretamente ligado à direção actual, porque a coordenação está a cargo do Belenenses e são outras pessoas que gerem isso, não tem a ver com a direção em si. Mas custa-me um bocadinho ver o clube da minha terra, onde eu comecei a ver os primeiros jogos de futebol foi aqui no Costa, da maneira que está, sinceramente. E se estas palavras de alguém que está ligado ao futebol há muitos anos, que é alguém que já dignificou o nome da terra, se puderem chegar a alguém de direito e consciente, se não o Costa (estamos habituados a dizer Costa e não Pescadores) poderá ter um mau fim. Se for entregue a pessoas que o levem com seriedade, honestidade e organização, eu acho que é possível, mas só com um projeto. Se o Cova da Piedade conseguiu, porque é que os outros clubes daqui não conseguirão?!

 

 

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