O Festival “Sol da Caparica” começa a dar os primeiros passos. Mas começou mal.
Podia ser o Festival da Costa da Caparica, mas não é, por enquanto é o festival da Câmara de Almada.
Mais uma vez a Câmara Municipal de Almada ignora os interesses da Costa da Caparica e tem uma iniciativa que, em vez de ter como objetivo o benefício da terra, tem como fim lucrar com a nossa terra. Nem sequer esses lucros estão prometidos, no todo ou em parte, à terra onde se geram. Além disso, mais uma vez, falhou na inclusão dos agentes da terra.
Vamos por partes: fruto de promessas eleitorais de várias forças partidárias, a CMA tomou a iniciativa. Curiosamente, depois de responder em Assembleia Municipal ao CDS, que tinha feito a proposta de um festival, dizendo que a CMA não era nenhuma comissão de festas, lá fez as contas e começou a organizar um Festival.
Estavam os caparicanos esperançados que se destinava a dar visibilidade à terra, a ampliar o seu público, a atrair turistas, especialmente do estrangeiro e também que a iniciativa emvolvesse as forças locais, quer fossem associações, grupos desportivos, comerciantes ou outras empresas da terra. Seria assim uma peça no desenvolvimento da Costa da Caparica.
Infelizmente não. Pelo que transparece, o objetivo é só um: fazer dinheiro: Negócio. Capitalizar na publicidade das cervejeiras, das operadoras de telecomunicações, dos bilhetes a 15€ por dia e 35€ todos os dias. Tal qual um festival do genro de Cavaco Silva.
A primeira notícia deste festival foi que teria um cartaz de bandas lusófonas, especialmente portuguesas. Percebe-se a cartilha ideológica, e claro que não há nada a opor à presença de artistas portugueses, mas é difícil de perceber a forma como um cartaz com artistas portugueses irá atrair mais público à Caparica, uma vez que todos já conhecem e acompanham os seus espetáculos ao longo do ano. É um cartaz para quem já costuma vir à Costa da Caparica e, desta forma alia uns dias de praia com umas horas de música. Um cartaz que repete os programas que já passaram nos Coliseus. Atenção, repito, nada contra um festival lusófono, muitíssimo pelo contrário. Seremos os primeiros a aplaudir e a congratularmo-nos com o seu sucesso.
Mas sem bandas daqui, da nossa terra? Nem uma? Nem sequer do Concelho?
Pelo menos – alvitre nosso e gratuito – façam panfletos em inglês e espanhol e distribuam-nos nessa semana aos turistas de Lisboa e da Costa: Prometam praia e música.
No passado dia 6 de maio, o Festival organizou uma conferência de imprensa para a qual não convidou nem sequer avisou a Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Também nenhum dos jornais locais convidados, incluindo o Notícias da Gandaia o jornal centrado na Costa da Caparica, dedicado à Frente Atlântica do Concelho.
Mais uma vez a Câmara de Almada ignora os caparicanos, mas afirma os seus direitos de uso da Caparica. Isto é deles. Somos de Almada, mas Almada não é nossa, nem todos são Almada. Será esta a marca de uma governação de esquerda?
O executivo de Almada insiste em ter duas faces, uma, aquela com que acusa os governos nacionais. A outra, a de atropelar diferenças, de explorar recursos de uns para usufruto de outros e, pior ainda, de fazê-lo mal.
Nesta época eleitoral, qual seria o efeito de apresentar o exemplo da Costa da Caparica no âmbito da governação de Almada ao longo destes anos? Será que se manteria a ideia de que os comunistas são uma alternativa benigna aos partidos do chamado arco da governação? Será que o executivo de Joaquim Judas não deveria parar, refletir e procurar novas práticas, novos caminhos?
Com esta formulação e estes procedimentos, o festival Sol da Caparica somos nós caparicanos a continuar a pagar para Almada. O que nós queremos é que Almada comece – finalmente – a investir em nós para ganharmos todos. Que crie um programa de animação nas nossas ruas durante o verão e não só, como todas as outras terras com praia por esse Portugal fora. Que corrija o erro que fez com o Transpraia e com o Largo da Tábua. Que proporcione condições para se implantarem atrações familiares que anteriormente existiram, como o mini-golfe, por exemplo, e outras, como circuitos de manutenção, “half-pipes”, paredes de escalada, que consagre a consagrada marca “Praia do Sol”, etc. etc. Todo o ano e não apenas quatro dias em agosto tendo como apoteose o Avô Cantigas.
Pelo menos, usem os lucros do Festival para esse programa inclusivo de animação todo o ano. Incluam artistas, associações desportivas e culturais locais, desenvolvam o território e a sua comunidade, envolvam os seus agentes, partilhem os processos. Isso sim, seria todo um programa que todos poderiam considerar NOSSO.

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