“ Por quem os sinos dobram”

Quando lembro o grande escritor Ernest Hemingway, recordo o livro que serve de titulo a esta crónica. Para além de ter sido a sua primeira obra que li, já lá vão cinquenta anos, foi a que mais me marcou, e um dos primeiros livros que li. Não era, na minha juventude, tão ligado a hábitos de leitura, como sou nos dias de hoje. Com os meus 21 anos, namorando na altura a que viria a ser minha mulher e mãe da minha filha, liamos este livro juntos e imaginávamos alguns dos momentos de amor profundo que ele encerra a par, claro, da violência da cruel guerra civil espanhola. “ Este livro de Hemingway, por muitos considerado a mais monumental, complexa e profundamente humana das suas obras, é não só um documentário imparcial de uma luta trágica, que marcou um dos momentos de consciência do nosso tempo, mas, acima de tudo, quanto a Hemingway ao longo da sua obra tem sido mais caro: a piedade, o heroísmo, o amor das responsabilidades livremente assumidas e a sua paixão pela Espanha, de que foi um dos mais atentos intérpretes estrangeiros “. Esta obra marcou o caminho para a consagração do prémio Nobel.

Este livro, que me foi parar às mãos, numa altura em que, no meu íntimo, também existia a paixão e o amor, foi por isso lido, sentido e vivido de uma maneira muito especial. Recordo, como se fosse hoje, aquele amor dos personagens Maria e Robert Jordan, nas montanhas dos arredores de Segóvia e Madrid…. Maria , a sua “coelhinha”, como o americano Jordan a tratava, transportava a minha paixão de há meio século, para os montes gelados da vizinha e sofredora Espanha!!! Uma paixão que já passou, há muito, e uma guerra que nunca, mas nunca mais, pode voltar a acontecer. As feridas, abertas de ambos os lados, custaram muito a fechar!!! É doloroso imaginar o que se passou aqui bem ao lado e ficar indiferente. O ser humano, ao lado do amor que tem dentro de si, também consegue acumular ódios que o transformam, e o levam a cometer verdadeiros crimes. Porquê?

Neste momento estou de novo a reler esta obra, que tanto marcou a minha juventude, e a reviver acontecimentos, alguns dos quais já não recordava, e que continuam a colocá-la entre as melhores que li até hoje.

John Donne escreveu no seu inicio: « Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fose a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI.»

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