Dragão Vermelho: Uma marca orgulhosa, visualmente forte, que marcava a Costa da Caparica

Primeira Vez

Caparica, 1964… a primeira vez.

Dragão Vermelho: Uma marca orgulhosa, visualmente forte, que marcava a Costa da Caparica

Comemorei, neste Agosto passado, meio século… Foi a primeira vez que, descendo a estrada estreita, que serpenteia pelas encostas da arriba fóssil, atingi a Costa da Caparica. Era a estrada antiga para chegar a estas paragens vindo do ardente Alentejo. A convite de amigos de Évora, que tinham as suas casas nesta praia, para mim desconhecida, passei aqui uns quinze dias desse Agosto de há meio século. A minha primeira mulher e a minha filha, que ainda não tinha completado um ano de vida, acompanharam-me nestes dias de descanso e recuperação. Um acidente, ocorrido na arena do Campo pequeno, obrigava-me a ter a perna direita toda imobilizada e, devido ao gesso, não podia mergulhar nas águas transparentes deste oceano… mas havia o convívio, o estar entre amigos, o cimentar de amizades, que ficaram pela vida fora até aos dias de hoje.

Como era diferente a Costa nesses anos distantes!!! Um dos edifícios mais altos era a Estalagem Rosa dos Ventos e, a casa onde ficávamos, era uma vivenda encostada a ela. Na praia não havia espigões para segurar as areias, nem paredão, nem restaurantes à beira mar… só um imenso areal que o mar lambia com as suas ondas, mais ou menos violentas… não havia surfistas, nem aqui, nem noutro lugar… só mar azul e alguns barcos de pescadores e, na maré baixa, muitas, mas muitas, conquilhas.

Os poucos, que vinham para estas paragens, acabavam por ser todos conhecidos. O acesso a Lisboa só se fazia de barco. Não havia pontes para atravessar o grande Tejo e escoar o trânsito. Só os cacilheiros, e outros barcos, que saiam da Trafaria e de Porto Brandão, permitiam a ligação à capital e ao norte do Tejo. Um mundo tão diferente do cosmopolitismo e massificação  que hoje encontramos.

Esta foi de facto a primeira vez que por aqui passei férias e pisei estas praias… mais tarde, nos anos setenta e oitenta, voltei aqui de novo, esporadicamente, para passar um ou outro dia de praia. Só a partir de 1992, já no fim da época balnear, na última semana de Setembro, aqui voltei para ficar… o coração falou mais alto e passei a ser um caparicano, de fins de semana e de férias de Verão. Só, há cerca de sete anos, comecei a passar a maior parte do meu tempo por estas paragens, a conhecer as suas gentes e a viver esta cidade.

Há amor para repartir, vidas a crescer, tempo para sonhar, novas amizades para partilhar e recordar aquele já distante 1964, quando ao lado do meu grande amigo Eduardo Soares Arimatea, alentejano como eu, mas da vila do Vimieiro, fomos fotografados, junto ao seu MG descapotável, para recordar agora, aquela primeira vez, há sempre uma primeira vez, que o Sol da Caparica, incidiu sobre o meu corpo branco de alentejano do sequeiro…

António José Zuzarte, Costa da Caparica, Setembro de 2014.

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