SEMENTES: Programação

Está a iniciar a 25ª edição de Sementes – Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, no dia 24 de Julho a 2 de Agosto de 2020.

Nestes tempos de pandemia, na quase iminência de vermos cancelada a edição das bodas de prata deste evento do Teatro Extremo, conseguimos ainda assim adiá-lo para novas datas e celebrar estes 25 anos com uma programação mais reduzida em quantidade, mas não em qualidade.

Com cautela, garantindo toda a segurança do público, artistas e técnicos, optámos este ano por realizar o Sementes no Museu da Cidade, em Almada, ao ar livre, e por outras praças e espaços públicos das União de Freguesias do Laranjeiro e Feijó, dos Municípios da Moita e Montemor-o-Novo.

Esta edição manterá o carácter internacional do evento, trazendo duas companhias estrangeiras (de Espanha e de Itália) e oito nacionais (de Almada, Lisboa, Loulé, Sintra, Matosinhos e Leiria), com espetáculos de dança, circo, multidisciplinares, teatro, marionetas, música e palhaços.

Para assinalar os 25 anos desta iniciativa voltamos ao debate e à conversa, desta vez com António Ângelo Vasconcelos, licenciado em ciências musicais, pelo Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Aveiro e doutorado em Educação pela Universidade de Lisboa, sobre o tema: As artes, as crianças e a democracia: 25 anos do Festival Sementes.

A impossibilidade de estarmos sozinhos, os conceitos de território e de fronteira, de pertença e de liberdade, a capacidade de vencer a partir dos parcos meios à nossa disposição, a condição do artista e do indivíduo, a construção de uma comunidade coesa, em forma e informada, a procura da criatura natural, ainda não corrompida pelo mundo, logo, mais próxima do ser e da sua essência, a pesquisa nos materiais naturais como ramos, pedras, areia e água, das energias essenciais neles contidos como inspiração para a criação numa perspetiva relacional entre o homem ou o artista e a natureza, o resgate de imaginário coletivo e da tradição para a criação da utopia e da esperança, são os conceitos e temas que vos oferecemos nesta edição de prata para que ludicamente, pensemos e construamos o Homem de amanhã, a nossa Cidade comum, uma cidadania culta, democrática e cosmopolita.

Num tempo de incertezas convidamos-vos a todos a refletirem connosco o nosso futuro comum. Não faltem, venham celebrar connosco as bodas de prata do SEMENTES!

24 de julho – 22h00 – Museu da Cidade, Almada

25 de julho – 19h00 – Praça da República, Moita

26 de julho – 18h00 – Praça Urbano Tavares Rodrigues, Feijó, Almada

niMú (Granada, Espanha) – Ni pies ni cabeza

Dança e circo – Todos; duração: 30 min.

A companhia

Equilibrista, Clown e bailarina, Xandra Gutiérrez é apaixonada pelo clown, o mimo e a manipulação de objetos. Já participou no Colectivo de Estreyarte em Granada, na companhia Las primas, e na companhia Proyecto Nana. Em 2017 cria o seu próprio projeto – a Companhia niMú.

O espetáculo (enviado pela companhia)

Entre o chão e a corda bamba, o novo circo a contar uma história universal sobre a impossibilidade de existirmos sozinhos.

Roubar para recordar e recordar para quê? Ao compasso de uma valsa tudo se desmorona. Tudo menos o mundo imaginário de niMú. Sapatos, multidões de sapatos, tantos como histórias. E entre eles uma terna personagem trata de encontrar o que todos buscamos: passos que acompanhem o nosso caminhar. Nipies Nicabeza reflete sobre a necessidade inata do ser humano de estar acompanhado. A obsessão da personagem em procurar sapatos reflete a necessidade do ser humano de encontrar pessoas com quem possa caminhar para sempre, pessoas com as quais possa partilhar a vida.

Ficha artística

Atriz: Xandra Gutiérrez

Direção Artística: Anthony Mathieu

Figurinos: Juan Prohibido – Olhar externo na corda; Víctor Sánchez

Apoio à criação: Zirkozaurre

25 de julho – 11h00 e 16h00 – Teatro-Estúdio António Assunção, Almada

Fernando Mota (Lisboa/Loulé, Portugal) – MAPA | Contos e Cantos para a infância

Multidisciplinar – m/6; duração: 45 min.

A companhia

Fernando Mota, desde 2010 tem vindo a criar uma série de espetáculos desenvolvendo uma linguagem cénica multidisciplinar e universal, juntando o teatro, a música, a poesia e as artes visuais. O seu universo musical resulta do cruzamento de diversas linguagens, geografias e ferramentas, como o estudo de instrumentos tradicionais de várias culturas.

Desde 1994 que compõe música para teatro, dança e cinema de animação.

O espetáculo

MAPA é um projeto que engloba duas versões do mesmo espetáculo Estórias de Mundos Distantes (para adultos) e Contos e Cantos (para a infância). Na sua génese está a pesquisa de histórias de resistência e evasão em países e territórios em guerra, com especial foco nos universos feminino e infantil. Criado a partir de textos originais, de poesia oral de mulheres afegãs, de músicas e sonoridades de várias culturas de África e do Médio Oriente e de outros materiais plásticos e audiovisuais, procura fazer uma reflexão sobre os conceitos de território e fronteira, de pertença e de liberdade.

Ficha artística

Criação e Interpretação: Fernando Mota

Dramaturgia e Traduções: Francisco Luís Parreira

Textos Adicionais: Poesia Popular Afegã, Eduardo Galeano

Direção Cênica: Caroline Bergeron

Música: Fernando Mota

Música Adicional: Braima Galissa, George Gurdjieff, Woody Guthrie

Cenografia: Fernando Ribeiro

Desenho de Luz: José Álvaro Correia

Vídeos: Miguel Quental

Actrizes nos Videos: Ana Sofia Paiva, Cláudia Andrade e Lucília Raimundo

Vozes gravadas: Ana Sofia Paiva, Cláudia Andrade, Gaspar Vasques, Lucília Raimundo, Serena Sabat e Tiago Mota

Coprodução: Cine-Teatro Louletano, Teatro Aveirense e São Luiz Teatro Municipal

26 de julho – 18h00 – Museu da Cidade, Almada

Fio d’Azeite- Marionetas do Chão de Oliva (Sintra, Portugal) – Sopa de Pedra

Teatro e marionetas – m/6; duração: 50 min.

A companhia

Caracterizam a actividade desta companhia, desde o inicio, a nível técnico, o domínio das linguagens tradicionais da “arte da marioneta” e a procura de novas soluções formais para esta milenar expressão teatral; a nível dos temas, revisitação de contos intemporais, tanto de tradição oral como escrita, assim como de textos de autores que se revelem como fonte de prazer e cúmplices de inquietação (já que não entendemos o aparecimento de novas formas sem o profundo estímulo dos conteúdos), num trabalho de pesquisa onde a figura, a imagem – enfim, a forma plástica – e os textos protagonizam novos significantes.

O espetáculo

A partir do conto tradicional.

Um espetáculo com muita animação, onde dois frades aproveitam para relatar passagens divertidas da vida do seu mentor – Francisco de Assis -, que funcionam como autênticos entremezes no conto tradicional “Sopa da Pedra”. Para isso, constroem marionetas à vista de todos com os materiais ou objetos que encontram no local (sapatos, jornal, papel…). Um espetáculo que, pensamos, é para todas as idades mas onde reservamos os primeiros lugares para os mais novos.

Ficha artística

Texto e Encenação: Nuno Correia Pinto;

Intérpretes: Nuno Correia Pinto e Paulo Cintrão;

31 de julho – 22h00 – Museu da Cidade, Almada

1 de agosto – 22h00 – Anfiteatro do Parque Urbano, Montemor o Novo

Trio Trioche (La Spezia, Itália/Paris, França) – Troppe Arie

Clown musical – Todos; duração: 60 min.

A companhia

Criada em 2013 pela diretora Rita Pelusio e três músicas comediantes: a pianista Franca Pampaloni, a flautista Nicanor Cancellieri e a soprano Silvia Laniado. São atrizes e músicas, graduadas no Conservatory, o que permite que consigam tocar as peças mais difíceis de ópera num espetáculo onde a música clássica se derrete na música pop.

O espetáculo

Uma senhora idosa, com um passado glorioso como artista de música clássica, atua em teatros à volta do mundo com o seu sobrinho, um promissor flautista. Dão concertos espetaculares como um trio… mas quem é o terceiro artista?

É Norma, cuidadora da velha tia… e é por isso que o duo – cativado pela paixão por ópera que a rapariga tem – vai ter que mudar o seu repertório. As árias mais famosas de ópera serão tocadas de forma extraordinariamente divertida e extravagante, com o acompanhamento do piano, flauta e os objetos sem conta que Norma decidirá tocar. O espetáculo é uma brincadeira de palhaços, uma comédia cheia de divertimento e atuações virtuosas de música clássica e moderna, com piadas rápidas e efeitos rítmicos que te vão deixar arrepiado.

Ficha artística

Ideia de: Rita Pelusio

Escrito por: Trio Trioche, Luca Domenicali e Rita Pelusio

Direção: Rita Pelusio

Produção: PEM Habitat Teatrali e Trio Trioche

1 de agosto – 11h00 – Rua Adriano Correia Oliveira, Laranjeiro, Almada

2 de agosto – 19h00 – Bairro Gouveia, Alhos Vedros, Moita

Companhia de Dança de Matosinhos (Matosinhos, Portugal) – Uma Bailarina Espe(ta)cular

Dança – m/3; duração: 20 min.

A companhia

Companhia profissional de dança contemporânea, que promete desafiar o corpo humano e a perceção do mesmo pelo público, apresentando a arte em corpos que se moldam, desafiam e ultrapassam os seus limites. Tenciona desempenhar um papel importante de aproximação da arte com as pessoas e das pessoas às pessoas, contribuindo para uma comunidade coesa, em forma e informada.

O espetáculo

“As bailarinas foram crianças. Cresceram para a dança obrigando o corpo e a cabeça a caberem dentro de um certo molde. O que é que se perde ou se alcança quando se realiza um sonho de dança? Perguntando-se quem sonha a criança que dança, uma bailarina encontra, pela dança, a criança contando como foi sonhada.” Regina Guimarães

Ficha artística

Direção: Manuel Tur

Texto: Regina Guimarães

Interpretação: Sara Silva

Cenografia: Moradavaga

Voz: Sara Pinto Pereira

Apoio à criação: Diana Amaral

Desenho de luz: Joaquim Madaíl

Coprodução: Companhia de Dança de Matosinhos e Câmara Municipal de Matosinhos/Teatro Municipal Constantino Nery

1 de agosto – 16h00 – Museu da Cidade, Almada

Conversa: As artes, as crianças e a democracia: 25 anos do Festival Sementes – por António Ângelo Vasconcelos

Ao longo de 25 anos o “Festival Sementes: Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público” desenvolveu um trabalho intenso e continuado, único no contexto nacional, através da apresentação de uma diversidade de espetáculos para o “pequeno público”, em diferentes espaços do concelho de Almada e de outros concelhos dos distritos de Setúbal, Lisboa, Évora, Portalegre, Aveiro e Santarém. Diversidade de propostas estéticas, artísticas e formativas, para além de um conjunto, também diversificado, de atividades complementares: do cinema à formação de crianças e jovens, de tertúlias a seminários.

 Neste contexto, nesta “conversa” vão ser apresentados alguns resultados de uma investigação em curso sobre o Sementes “um festival aberto aos mundos reais e imaginário” em que a convivialidade entre diferentes pressupostos artísticos, estéticos, culturais e sociais na democratização do acesso à cultura se apresentam determinantes na construção de uma cidadania culta e cosmopolita. Trabalho que parte de uma questão inicial: de que modos é que o Festival Sementes tem contribuído para a construção de uma Cidade e Cidadania mais culta, democrática e cosmopolita?

António Ângelo Vasconcelos – Estudou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Aveiro, licenciou-se em Ciências Musicais e doutorou-se em Educação pela Universidade de Lisboa. Tem várias publicações no âmbito do ensino artístico, políticas públicas e criatividade e é membro dos centros de investigação CIPEM-INET-md e do CIEF-IPS. Desempenha as funções de Professor-Ajunto no Departamento de Artes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.

1 de agosto – 18h00 – Museu da Cidade, Almada

O Nariz (Leiria, Portugal) – O Principezinho

Teatro de ator e marionetas – M/6; duração: 40 min.

A companhia

Desde 1994 que exerce um leque variado de atividades culturais, tanto na produção de espetáculos de teatro, como na programação. Os primeiros anos foram essenciais para a formação de novos públicos que até hoje se mantêm e acompanham o seu trabalho.

O espetáculo

“…um aviador, perdido no deserto, encontra um rapazinho que vem de um distante asteroide, onde vive sozinho com uma única rosa. Trata-se, antes de mais, do encontro de duas solidões, correspondentes ao desdobramento da personalidade do autor: o adulto Exupéry (aquele que um ano depois, desapareceria, quando pilotava o seu avião sobre o Mediterrâneo) e o rapaz que ele foi, a criatura natural, ainda não corrompida pelo mundo, logo, mais próxima do ser e da sua essência.” Álvaro Magalhães

Ficha artística

Adaptação e encenação: Pedro Oliveira

Marionetas e fantoches: Pedro Oliveira

Pintura: João dos Santos

Interpretação e manipulação: Pedro Oliveira e Roberto Domingues

Banda sonora: Nelson Brites

1 de agosto – 19h00 – Parque das Canoas, Gaio Rosário, Moita

Fernando Mota (Lisboa/Loulé) – “Hárvore”

Música, artes plásticas e movimento – para todos; duração: 40 min.

A companhia

Fernando Mota, desde 2010 tem vindo a criar uma série de espetáculos desenvolvendo uma linguagem cénica multidisciplinar e universal, juntando o teatro, a música, a poesia e as artes visuais. O seu universo musical resulta do cruzamento de diversas linguagens, geografias e ferramentas, como o estudo de instrumentos tradicionais de várias culturas.

Desde 1994 que compõe música para teatro, dança e cinema de animação.

O espetáculo

Hárvore é o espetáculo que marca o início de uma pesquisa à volta de objetos sonoros e instrumentos musicais experimentais criados a partir de árvores e outros materiais naturais. A partir do instrumento que Fernando Mota concebeu em 2019 para o projeto Sahar da Fundação Calouste Gulbenkian, serão criados novos objetos utilizando vários carvalhos cortados em limpeza de terrenos na Serra de Montemuro. Com esses instrumentos e outros materiais naturais como ramos, pedras, areia e água criaremos um espetáculo multidisciplinar que envolverá música, artes plásticas e movimento. Hárvore será um objeto telúrico, tão contemplativo quanto explosivo, uma partitura musical e performativa que mais do que sugerir paisagens, desenhará as energias nelas existentes.

Ficha artística

Criação e Interpretação: Fernando Mota

Operação Técnica: Catarina Codea

Produção e Coordenação: Violeta Mandillo

2 de agosto – 18h00 – Museu da Cidade, Almada

Banda às Riscas (Almada, Portugal) – Banda às Riscas

Música e artes circenses – Todos; duração: 40 min.

A companhia

A Banda às Riscas é um grupo Musical de Animação de eventos, que nasceu na cidade do Porto cumprindo neste corrente ano 20 anos de muita animação!

Desde então, a Banda às Riscas tem vindo a animar todo o tipo de eventos em Portugal Continental e ilhas e também em Espanha, Suíça, Suécia, Bharain, França, espalhando risos e boa disposição por onde quer que passa.

O espetáculo

Espetáculo de música e artes circenses, cujo repertório é de cariz tradicional, temas do imaginário coletivo e circense.

No espetáculo da Banda às Riscas o público é convidado a assistir e divertir-se com a música e as tropelias do nosso palhaço/malabarista e soltar umas valentes gargalhadas!

A animação da Banda às riscas assenta na importância de despertar, na sociedade em que vivemos, o lado mais simples da vida: o sorriso!

Ficha artística

Rui Oliveira “Oli” – Palhaço/Malabarista interativo com o público

Hugo Osga – Gaita de Fole

Andreia – Acordeão

Carlos Luz – Saxofone

Nuno Encarnação – Percussões

Notícias da Gandaia

Jornal da Associação Gandaia

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