Trotinetas Ameaçam

Quando li a notícia de que iria haver um serviço de trotinetas para alugar aqui na Costa da Caparica fiquei contente. pareceu-me para lá de boa ideia. Falta na terra este tipo de ofertas que acrescentem prazer e fruição para além da praia.

Sou do tempo em que estar na Costa da Caparica significava também passear de bicicleta. Ou na bicicleta própria, como era o meu caso, ou numa alugada, não faltando locais para o fazer, desde o centro da Costa, então vila, ou na INATEL, então FNAT.

Depois da notícia, comecei a ver trotinetas por todo o lado. Umas na sua pose de disponibilidade, juntinhas e aprumadas, outras abandonadas pelos passeios, demonstrando o seu uso anterior. Caramba, pensei eu, esta empresa investiu a sério, quando diz que coloca trotinetas, é mesmo por todo o lado!

E realmente podia ver utilizadores por todo o lado, embrenhados nas suas experiências trotinéticas, a deslocar-se, ubíquos, pelos nossos passeios, pela exígua ciclovia mas, curiosamente, nunca pela estrada.

O problema começou quando começara a surgir as notícias más. Uma escritora de renome atropelada no paredão por uma menina de cerca de 10 anos, condenando a autora de ambulância para o hospital, mas abandonando rapidamente o local. Um senhor de proveta idade que se estatelou no mesmo paredão para aterrar nas pedras…

Enfim, notícias que impunham uma reflexão mais cuidada sobre os veículos e sobre o seu uso.

Primeiro, sobre os veículos, que têm velocidade muito superior ao que teriam se fossem movidas simplesmente pelo esforço físico de quem as conduz. haverá homologação destes veículos que tenha em consideração estes aspetos? O sistema de travagem, especialmente tendo em conta as suas diminutas rodas é eficaz? A homologação tem isso em conta? Por outro lado, cada trotineta não está individualizada. Onde está a matrícula que a identifica?

Depois, qualquer um pode agarrar numa trotineta e andar por todo o lado. Basta um telefone munido da respetiva app. Sem qualquer restrição, saiba ou não dominar o veículo.

Finalmente, como no caso do atropelamento, como solicitar responsabilidade, ativar o seguro? Não se identifica quem conduz, não se identifica o veículo e, mesmo por GPS será difícil identificar o quando, onde e quem conduzia determinado veículo.

Além disto tudo, a Flash, que se sabe ser alemã, contacta-se como? Qual a sua responsabilidade e como contactá-la?

Ainda há que pensar como integrar estas novas ideias no nosso quotidiano para serem MESMO boas ideias!

 

Notícias da Gandaia

Jornal da Associação Gandaia

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