Histórico e Difícil

By  | 31 Outubro, 2017 | 0 Comments | Filed under: Notícias

Começou no passado sábado 28 de outubro o mandato de 2017-2021 na Câmara de Almada. Tudo muda, mas as dificuldades da nova gestão ficaram evidentes logo desde o primeiro minuto.

Pela primeira vez na sua história, a Assembleia Municipal de Almada teve duas listas para a sua mesa. Uma, proposta pela CDU e que mantinha José Manuel Maia e uma outra, proposta pelo PS com José Joaquim Leitão como presidente. Foi esta a lista vencedora.

Porém, é aqui que fica a pista para o novo mandato. A lista da CDU obteve 14 votos, ou seja, os 11 deputados eleitos, mais os Presidentes de Freguesias da CDU. Todos os outros Presidentes de Juntas e deputados (menos um, que votou em branco) optaram pela lista do PS.

Será que vamos ver um executivo de Inês Medeiros com o PSD e também Joana Mortágua, do BE? Em breve o saberemos.

Na Assembleia Municipal a CDU tem mais votos do que o PS porque tem mais Presidentes de Junta (CDU 11+3 PS 11+2). No entanto, se na Câmara um acordo com o PSD é suficiente para uma maioria absoluta, já na Assembleia Municipal a situação é mais fluida, caso não tenha o apoio do Bloco de Esquerda. O PSD tem 5 deputados e o Bloco 4 a que se junta 1 deputado pelo PAN e outro pelo CDS.

Apesar da instalação da Câmara e da eleição da Mesa da Assembleia, quase tudo ainda está para se decidir, sendo mais que provável que, nos bastidores, as negociações sejam intensas.

Os eleitos para a Cãmara pela CDU foram Joaquim Judas, José Manuel Gonçalves, António Matos, e Amélia Pardal, pelo PS, além da Presidente, Inês Medeiros, foram eleitos Francisca Parreira, João Couvaneiro e Teodolinda Silveira, pelo PSD foram eleitos Nuno Matias e Miguel Salvado e, finalmente, pelo Bloco, Joana Mortágua.

O Discurso de Inês Medeiros

 

A nova presidente da Câmara Municipal de Almada prometeu uma “nova atitude política” na gestão da autarquia e uma presidência de proximidade, com “presidenciais abertas”, inspiradas em Mário Soares, todos os meses, pelas diversas freguesias do concelho. Apresentou, como “prioridades estratégicas”, as áreas da reabilitação, mobilidade, turismo e higiene e limpeza.

Concretamente, prometeu “liderar a reabilitação” do Cais do Ginjal e da Margueira, estender essa “dinâmica de reabilitação” a Almada velha, Trafaria, Romeira, Cova do Vapor e Costa da Caparica. Para fazer da costa um “pólo turístico da Região de Turismo de Lisboa” vai lançar o programa ‘Costa todo o ano’.

Realçando a importância do domínio da mobilidade, sublinhou a oportunidade de novos concursos, no final dos atuais da Fertagus e Transportes Sul do Tejo (TST) em 2019, para introduzir um novo sistema tarifário que integre comboio e autocarro, a extensão da linha do norte a Roma/Areeiro até ao Oriente e ligar a linha do sul à linha do Sado.

Referindo-se à higiene urbana, o que mereceu um grande aplauso da numerosa assistência, afirmou que Almada pode e deve garantir uma “maior qualidade” dos serviços municipais. Um compromisso que reafirmou “como presidente da Câmara Municipal”.

Outro aspeto que  foi realçado foi a intenção de exercer uma presidência de proximidade, às pessoas e aos seus problemas, e fazer uma cidade mais solidária, inclusiva e acessível, prometendo a criação dos programas de arrendamento inter-geracional “a baixo custo”, para estudantes universitários e idosos, e ‘Cuidar de quem precisa’, para apoio domiciliário e às famílias. Prometeu ainda uma rede de “flexibus” para transporte dos mais isolados entre as freguesias, e “trazer à discussão pública” medidas de combate ao abandono escolar como a promoção do estudo acompanhado, troca gratuita de manuais e criação de um sistema de incentivos e bolsas de estudo para jovens de famílias de baixos rendimentos.

Na relação com o movimento associativo, a nova presidente prometeu a elaboração de um regulamento municipal de apoio, com “critérios de avaliação” e “métricas de execução” que “valorizem a actividade regular das associações”, para “maior eficácia e transparência”.

A presidente socialista promete ainda promover um “verdadeiro orçamento participativo”, dotado de uma “verba anual relevante” e criar uma agência para o desenvolvimento. Para primeira medida, Inês Medeiros, revelou pretender assinar “ainda hoje” o despacho para a construção de uma rampa de acesso a pessoas com mobilidade reduzida, a qual tinha prometido durante a campanha, no espaço jovem do Bairro Amarelo.

Sem complexos quanto ao PCP

Referindo-se aos 41 anos de poder comunista em Almada, Inês Medeiros elogiou e agradeceu o trabalho do anterior presidente, Joaquim Judas e deu um especial relevo à anterioor presidente, Maria Emília Neves, “a quem Almada muito deve”.

Porém, mais à frente, afirmou: “temos consciência dos progressos conseguidos nestes mais de 40 anos de democracia, e não esquecemos a quem devemos esses progressos, ao PCP. E por isso com a mesma frontalidade, sem qualquer dogmatismo, também somos forçados a reconhecer que o modo de governar, que tão importante foi nos anos 80 e 90, nos momentos mais duros do nosso concelho, é hoje um modelo esgotado.”, disse.

Público misto, metáfora do futuro

O público era claramente composto por dois grupos, um, apoaindo efusivamente o anterior executivo e, outro, com o mesmo entusiasmo, apoiando a nova gestão. Foram inúmeras as reações, para um e outro lado, ao longo da cerimónia, tendo mesmo, alguns dos presentes, tentado falar interrompendo a cerimónia, especialmente no discurso da nova presidente.

Ora este discurso de Inês Medeiros, com algumas gafes compreensíveis à luz da emoção do momento, levanto inúmeras reações, como, por exemplo, a sua referência ao “distrito de Almada. Muitas das medidas anunciadas tiveram, junto dos apoiantes do anterior executivo, um murmurinho de “isso é o que já está feito” e outras reações.

É precisamente isto que se anuncia: dentro dos órgãos concelhios, uma disputa, passo a passo, com a poderosa máquina do PCP fortemente representada na vereação e na Assembleia, mas também nos funcionários municipais, de resto, como a própria Inês Medeiros teve o cuidado de referir.

Está, assim, tudo em aberto. Veremos como será o executivo e aí se compreenderá a conjunção de forças para a nova gestão. Também no quotidiano, se terá de ver, passo a passo, como tudo se irá desenrolar…

 

 

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Jornal da Associação Gandaia

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