A Berlineta

By  | 23 Março, 2016 | 0 Comments | Filed under: Ana Marques, Notícias, OPINIÃO

Já desde berlinetahá alguns meses dei conta de uma original Geringonça, estacionada junto ás escadarias que levam ao paredão das praias da Caparica, e que vende Bolas de Berlim.

Como uma pessoa realmente curiosa em relação ao que me rodeia e achando aquela logística bastante atractiva e inovadora, resolvi chegar à fala com o responsável, o que consegui após várias tentativas, aqui fica registado o que apurei depois de uns minutos de informal conversação.

O Dono e mentor desta original forma de comércio é o Alessandro Iuliano, um rapaz de 35 anos, bem parecido , extremamente afável e simpático a residir oficialmente à algum tempo em S, João da Caparica.

Nasceu numa cidade de Itália ( Tremoli ), filho de mãe Portuguesa e pai Italiano, viveu nesta cidade até à idade dos 7 anos, altura em que os pais resolveram vir morar para Portugal, mais propriamente para Lisboa.

O Alessandro desde muito cedo sentiu o apelo do mar, amando cada minuto que passava nas praias da Costa da Caparica, nas suas brincadeiras de menino, daí a querer entrar nas suas águas, servindo-se de uma tábua foi um passo.

Frequentou como qualquer criança a escola e durante as férias ou fins de semana , vinha de transportes públicos até à Caparica surfar nestas ondas generosas, que se abrem em branco renda, para acolher todo e qualquer amante deste longa faixa Costeira.

Quando vinha com os pais, não raro, davam boleia a uma senhora, mãe de um seu amigo, que vendia bolas de berlim pelo areal  desta costa e foi talvez por causa desta grata memória, que anos mais tarde esta forma de ganhar a vida se tornou consistente.

Licenciou-se em Marketing e Publicidade, ainda exerceu a profissão em várias empresas, mas a hipótese de ser empresário, juntando as suas melhores recordações de infância nunca o abandonou, amealhando parte do seu salário, foi a pouco e pouco adquirindo o necessário para iniciar este negócio, nomeadamente uma Renault 4 F( furgão ) em segunda mão , assim como um triciclo ou lambreta nas mesmas condições que segundo um design seu, foi devidamente decorada.

Entretanto tentando descobrir qual a melhor panificadora que confeccionasse bolas de berlim, percorreu várias durante quase 3 meses, provando e degustando imensos desta iguaria, até que descobriu uma empresa de pão e bolos que o satisfez, em busca do sabor, aroma e textura tradicional deste bolo, propôs algumas alterações na massa e no creme, até conseguir sentir-se satisfeito e que faz questão de manter no segredo dos deuses.

Faltava, entre toda a burocracia necessária para dar inicio a este empreendimento, o nome ,que acabou por ser o resultado feliz da fusão entre Berlim e Lambreta.

O que começou por ser um projecto inovador na área de venda ambulante,já deu provas de ser consistente e rentável como o Alessandro faz questão de afirmar que nunca duvidou.

O Herman José Já fez uma peça sobre este empreendimento num programa televisivo da RTP e onde já foi entrevistado por mais duas vezes, tem uma página no Facebook, participa em diversos eventos, festas de aniversários para a criançada e todo o tipo de festas  e acontecimentos festivos em diversas localidades, para além de fazer questão de ajudar as crianças mais desfavorecidas doando  fisicamente as suas famosas bolas de berlim, foi presença também entre outros na fundação do Gil.

Está na forja, um outro posto de venda para a Fonte da Telha, aqui na Costa da Caparica, está presente aos fins de semana, se o tempo assim o permitir, entre Fevereiro e Maio e depois durante o Verão todos os dias da semana, revela não se sentir nada decepcionado com a rentabilidade deste negócio, que já fez com que consegui-se rever a quantia que nele investiu, diz que o seu sucesso se deve especialmente à qualidade dos produtos, com que são confeccionados estes bolos, dos quais não abre mão. mesmo encarecendo mais o produto final, rematando a sua total satisfação, pelo fato de ter conseguido realizar o seu sonho de menino, de aliar a praia, o mar e o surf, a uma forma de vida que lhe permite garantir a sua subsistência

É definitivamente um caso de sucesso, neste País, onde afinal, ainda há quem prime pela originalidade, não se acomodando aos que dizem que só emigrando ou vivendo da Assistência Social, se consegue sobreviver, o Alessandro conseguiu mais que isto, é uma pessoa realizada e feliz, e as suas Bolas de Berlim parecem-me fadas ao estrelato

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