Intervenção na Assembleia Municipal de Almada de 28 de Junho de 2012
«Queria falar sobre um documento em particular, apresentado pela CDU, relativamente ao Programa Polis. Porque aquilo que é a Costa da Caparica hoje é o fruto do abandono a que esta Câmara Municipal a votou, de há muitos anos.
Degradação urbana, lixo, construção clandestina vergonhosa, uma pressão imobiliária e viária sobre as praias e as áreas protegidas, estratégia aparentemente nenhuma. Não se vislumbra visão de futuro naquilo que foi a acção da Câmara Municipal de Almada sobre aquele território.
Mas eis que há uns anos surgiu a possibilidade do Programa Polis, e com isso a possibilidade de mandar dinheiro para cima do desleixo da Câmara Municipal de Almada. Mas o Polis que temos hoje é o retrato confrangedor da incompetência e do desrespeito por aquilo que é o bem comum.
Foi gasto dinheiro, foi gasto mesmo muito dinheiro, mas como os resultados estão à vista eu ainda estou para entender a quem aproveitou esse dinheiro.
Aquilo que assistimos no Programa Polis foi um conceito de planeamento virado do avesso, a retalho, obsoleto. Acompanhado de uma surpreendente incapacidade técnica, com uma degradação a curtíssimo prazo dos materiais, e o desleixo daqueles que são os atores políticos.
(…)
Pedir a perpetuação do Programa Polis é pretender que se continue a desbaratar o dinheiro dos contribuintes num verdadeiro cadáver. Tão cadáver que nasceu já morto. O Programa Polis quando surgiu, nos tempos gloriosos do Engenheiro Sócrates, anunciava isto mesmo, uma megalomania de intenções e um desastre de execução. E portanto, é bom que se pare já com isto, é muito bom que o Governo ponha fim a este desbaratar de dinheiro público, é bom que pensemos a Costa da Caparica, aquilo que queremos para daqui a umas décadas, sem fazer da Costa mais um foco de especulação imobiliária.»

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