Companhia de Teatro de Almada aos 50

Quarenta e quatro espectáculos diferentes, 14 dos quais de teatro para adultos e 13 para a infância, mais os espectáculos de música e de dança programados, preenchem a programação da temporada de 2021 da Companhia de Teatro de Almada (CTA) e do Teatro Municipal Joaquim Benite, a mesma companhia que este ano chega aos 50 anos de actividade.

Confinamento, recolher obrigatório, seja o que for, o permitam e Shitz, de Hanoch Levin, e O Misantropo, de Molière, são dois importantes destaques do programa, que ainda inclui autores como William Shakespeare, Thomas Bernhard, Gary Owen, Isabela Figueiredo, Ilse Losa, ou Jorge Amado, que ainda contará com outros autores e companhias para a celebração do cinquentenário, com, por exemplo, dança e música de criadores como Paulo Ribeiro, Ricardo Ribeiro, Lena D’Água e Salvador Sobral.

A CTA, herdeira do Grupo de Teatro de Campolide, fundado por Joaquim Benite, em 24 de Abril de 1971, com um conjunto de jovens actores com os quais, um ano depois, venceu o Prémio da Crítica para o Teatro Amador graças à sua encenação de Vida do Grande D. Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança.

Aproveitando o meio centenário, recorde-se como, em 1977, o grupo se profissionalizou, instalando-se no Teatro da Trindade, em Lisboa. Um ano depois, no âmbito do movimento de descentralização cultural, o grupo instalou-se mudou de margem, passando a ser a Companhia de Teatro de Almada.

Na apresentação da programação, o director da CTA, Rodrigo Francisco, lembrou o “enraizamento” da companhia na cidade e no envolvimento da autarquia na fundação de dois teatros municipais e do Festival Internacional de Teatro, que este ano conhecerá a sua 38.ª edição.

Para este ano, a CTA conta acolher no as principais estruturas de criação nacional, como a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Companhia Nacional de Bailado, o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional São João e a Orquestra Gulbenkian, mais um conjunto de companhias independentes de Norte a Sul de Portugal, “em ano de comemoração”, os parceiros estruturais desde a fundação, disse Rodrigo Francisco. “Comemoramos os 50 anos da Companhia num ano em que o simples facto de estarmos juntos nos coloca perante novos desafios”, disse o director da CTA, acrescentando que, ao longo de 2021, o cinquentenário será celebrado “de várias formas.” Rodrigo Francisco ressalvou, porém, que a CTA está “consciente dos “obstáculos” que irão enfrentar ao anunciar uma programação anual, no contexto em que se vive. “Fazemo-lo pelo nosso público. E porque se, nos últimos 50 anos, quem nos precedeu tivesse baixado os braços, nós não teríamos aqui chegado”, frisou.

Entre os espectáculos de teatro vale a pena referir Gostava de Estar Vivo para Vê-los Sofrer, de Max Aub, António e Cleópatra e Hamlet, de Shakespeare, A Força do Hábito, de Thomas Bernhard, e ainda Killology, de Gary Owen, Quarto Império, a partir de Isabela Figueiredo, A Noite de Molly Bloom, de Sinisterra, Lorenzaccio, de Musset, ou À Espera de Godot, de Samuel Beckett.

Para os mais novos as propostas são Händel… Lá com Essa Música!, O Romance da Raposa, Dona Raposa e Outros Animais, Pastéis de Nata para Bach, Ilse, a Menina Andarilha, Planeta Dança, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, O Fantasma das Melancias, Patapapúm, Os Gatos, Verdi que te Quero Verdi, O Barbeiro de Sevilha e Gulliver, peças que vão da abordagem do universo musical e operático, ao mundo de autores como Ilse Losa e Jorge Amado e às suas criações para a infância.

Quanto à dança pode contar-se com Trabalhos de casa, Inverno, Seis meses depois, Mastercass Companhia Nacional de Bailado (CNB) e AmarAmália 2020 são as propostas de dança para 2021, envolvendo estruturas como a CNB e a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo.

Finalmente, entre a dúzia de propostas musicais, realce para os concertos de Ricardo Ribeiro, Lena D’Água, Salvador Sobral, Cais do Sodré Funk Connection e The Legendary Tigerman. E ainda espectáculos com o Quarteto Ibéria e dois concertos pela Orquestra Gulbenkian, um com direcção musical de Nuno Coelho, o outro com Johannes Klumpp como maestro.

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