Lua e Alex

Eles chegam silenciosos, pisando com delicadeza, quase flutuando, como quem chega do sono.

Nos rostos trazem sorrisos ligeiros, educados, tímidos.

São lindos.

Ela tem dez anos, é alta, esguia, já se imagina uma ninfeta de longos cabelos alourados. A sua beleza tranquila cativa. De olhos baixos, move-se com a graciosidade de uma gazela.

Ele é um menino de sete anos que se sente terrivelmente incomodado com a postura solene que apresenta. Porém, os seus olhos, brincalhões, traem-no, pois irradiam uma alegria e vivacidade contidas.

Aproximam-se os dois de mim, envergonhados.

Depois, espontaneamente, abraçam-me com efusão, beijam-me e chamam-me de abuelo. Emocionado, contenho as lágrimas rebeldes.

Um frémito morno percorre-me o corpo e a alma e eu, feliz, sorrio para os meus netos.

 

Reinaldo Ribeiro

Barcelona, Janeiro/2012

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