Português Domina Festival de Almada

Contra ventos e marés e pandemias, entre 3 e 26 de Julho, pela 37º vez, o Festival de Almada apresentará uma programação “quase exclusivamente portuguesa” em virtude das circunstâncias vividas nos últimos meses, tendo, no entanto, sido mantidas em cartaz três produções internacionais.

Sem espectáculos ao ar livre e com a lotação reduzida a metade, o maior festival de teatro em Portugal está distribuído por seis salas em Almada e uma em Lisboa, todas com lugares marcados e obrigatoriedade de uso de máscara pelos espectadores, sendo, em simultâneo, o acontecimento que marca o regresso aos palcos da criação teatral portuguesa recente depois de quase quatro meses de paragem forçada, sendo a ocasião aproveitada para homenagear o actor e encenador Rui Mendes.

Em cena, nos 17 espectáculos programados, três dos quais em estreia, estarão a “juventude, a sexualidade, a herança colonial, a gentrificação, a violência de género, a opacidade do mundo financeiro, a intolerância religiosa, o crescimento do populismo e a importância da memória literária.”

Este ano, a festa do teatro abre com a estreia de Bruscamente no Verão Passado, de Tennessee Williams, numa encenação de Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais. Celebrizada pela adaptação cinematográfica de 1959 (protagonizada por Elizabeth Taylor, Katharine Hepburn e Montgomery Clift), a peça é considerada uma das mais enigmáticas do dramaturgo norte-americano, “constituindo uma denúncia da intolerância relativa à homossexualidade na sociedade dos anos 50.”

A Comuna – Teatro de Pesquisa é a responsável por outra estreia de uma peça nesta edição. As Artimanhas de Scapin, de Molière, com encenação de João Mota e tradução do escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade, é uma obra em que o autor francês prestou homenagem à commedia dell’arte, centrando a acção em Scapin, que, assim, se inscreve “na vasta galeria de criados astuciosos da literatura europeia. O papel de Scapin é um dos mais cobiçados da dramaturgia francesa, tendo já sido interpretado por actores como Jean-Louis Barrault.”

Finalmente, cabe à Companhia de Teatro do Algarve a responsabilidade pela terceira estreia do Festival de Almada, com Instruções para Abolir o Natal, da autoria do dramaturgo canadiano Michael Mackenzie e encenação de Isabel Pereira dos Santos, a peça, estreada em Montreal, em 2011, “aborda os efeitos da crise financeira de 2008 na sequência da falência do banco norte-americano Lehman Brothers, tendo sido posteriormente reescrita pelo autor para incluir os efeitos do Brexit na economia europeia.”

Programação completa em www.ctalmada.pt

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