Travar a Erosão

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) anunciou que vai assegurar a curto/médio prazo intervenções em troços com valores críticos de erosão da orla costeira, para atenuar o processo que, em determinadas zonas, acontece de forma severa, o que não é bem o caso da Costa da Caparica, considerada estável ou mesmo em crescimento de massa (acreção)…

Os resultados preliminares obtidos no âmbito do Programa COSMO confirmam, em linha com o conhecimento e literatura técnico-científica nacional e internacional, que, em determinados locais ou áreas mais extensas, é possível atenuar a tendência erosiva de longo prazo através da realização de intervenções de alimentação artificial de praias, numa lógica de reposição ou manutenção do balanço sedimentar”, informa a APA em comunicado a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Neste contexto, “a APA irá assegurar a prossecução no curto médio/prazo de mais intervenções desta natureza, em particular nos troços com valores críticos de erosão, atuando de forma programada e faseada”.

Esta atuação, continua, será “em função dos resultados da monitorização em curso, dos recursos financeiros disponíveis e em linha com o estipulado no Plano de Ação Litoral XXI e Programas da Orla Costeira (POC) já aprovados ou em fase final de aprovação”.

A nota de imprensa apresenta uma atualização que a APA fez nos indicadores de diagnóstico do estado da faixa costeira portuguesa, em particular no que se refere à sua tendência evolutiva entre 2018 e 2020.

“O trabalho foi realizado com base na análise dos dados obtidos no âmbito do Programa de Monitorização da Faixa Costeira de Portugal Continental (COSMO), iniciado em julho de 2018 e cofinanciado pelo POSEUR durante três anos, com custo aproximado de 2.900.000 euros”, esclarece.

Da análise efetuada, destacam-se os troços costeiros de Bonança — Pedrinhas-Cedovém, Cortegaça — Torrão do Lameiro, São Jacinto — Mira (norte), Cova-Gala — Lavos e Costa de Caparica.

“Entre Bonança — Pedrinhas/Cedovém, com uma extensão de 2,9 km, 95% do troço encontra-se em erosão, grande parte categorizado como em situação de ‘Erosão Intensa'”, anuncia, adiantando que “entre Cortegaça — Torrão do Lameiro, com uma extensão de 13,6 km, 94% do troço encontra-se em erosão, sendo metade categorizado como em situação de ‘Erosão Severa’ ou ‘Erosão Extrema'”.

Entre a Cova-Gala — Lavos, “com uma extensão de 4 km, 82% do troço encontra-se em erosão, sendo que destes 66% são categorizados como em situação de ‘Erosão Severa’ ou ‘Erosão Extrema'”, enquanto “entre São Jacinto — Mira (norte), com uma extensão de 21 km, 75% do troço encontra-se classificado como ‘Estável’ ou em ‘Acreção’, estando os restantes 25 % em erosão”, assim como na Costa da Caparica, “com uma extensão de 4 km, em que 93% do troço se encontra classificado como ‘Estável’ ou em ‘Acreção'”.

“Os resultam obtidos com o Programa COSMO confirmam, como esperado, a manutenção da tendência erosiva exibida entre Bonança — Pedrinhas/Cedovém, Cortegaça — Torrão do Lameiro e Cova-Gala — Lavos”, conclui a APA no documento.

Em oposição, “os troços costeiros de São Jacinto — Mira (norte) e Costa da Caparica mostram uma tendência clara no sentido da estabilização da linha de costa e atenuação do processo erosivo”.

“Em ambos os troços foram realizadas (…) intervenções de alimentação artificial de praia nos últimos anos, as quais estão efetivamente a contribuir para a reposição local do balanço sedimentar e reequilíbrio destes sistemas costeiros, contrariando assim a tendência erosiva instalada de longo prazo ou mitigando os efeitos negativos causados pelos temporais”, esclarece o documento que anuncia a continuidade destas ações por parte da APA.

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