Cultura ou Propaganda?

Recentemente foi aprovado em Conselho de Ministros um programa de 30 milhões para programação cultural. Parece que foi uma surpresa e as autarquias imediatamente chamaram a si a responsabilidade da atribuição dessa verba.

Porém, considerando a situação alarmante em que o setor da cultura se vê mergulhado, a apreensão cresceu e esta, que parecia uma boa ideia, acabou por não ter uma receção tão positiva como era esperado.

Há boas razões para isso.

Desde logo, esses 30 milhões poderão ser subtraídos a projetos incluídos no programa Cultura para Todos, alguns dos quais já tinham sido aprovados e deviam ser contratualizados ainda este mês.

Por outro lado, a verdade é que as autarquias têm investido na programação cultural maioritariamente em eventos que angariem a maior popularidade possível para os respetivos executivos.

Não têm sido as preocupações culturais que presidem às opções que vemos por aí. Ou seja, em vez do objetivo ser a divulgação cultural, o objetivo é a autopromoção dos políticos que estão no poder.

Assim, estes seriam 30 milhões para propaganda e não para programação cultural.

Mesmo acreditando no melhor dos mundos e que, por qualquer razão natural ou sobrenatural as autarquias começassem a fazer uma programação sólida e diversificada, haverá vantagem em aniquilar os agentes culturais independentes?

Convém realçar que o setor da cultura é um dos que mais sofreu e sofre com a pandemia. Especialmente os projetos independentes.

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