Saber Parar…

SaberPararRecebi um texto da minha neta Inês, um desabafo, e não resisto a publicá-lo ilustrando-o com uma foto sua, tirada há 30 anos, na minha casa de Coruche, onde vivi 22 anos… Só agora, quando a idade não perdoa, percebi que é preciso saber parar…Ela agora já percebeu isso e eu só desejo que haja saúde, paz e amor, para o Vasquinho saber viver neste mundo que corre mais depressa do que nós, mas nem sempre pelos melhores caminhos. Aqui segue o seu texto: « Este mês teve dias intermináveis, noites em que acordou de 3 em 3 horas, em que não quis comer, semanas impossíveis. O pior desta condição de ser pai são as comparações, julgamentos e as dicas que ninguém pediu. Há momentos em que nos deixamos cair nessa armadilha e damos por nós a pensar que ele já deveria saber isto ou aquilo. Fica a pairar uma culpa absurda, do tempo que passa por ele a correr, das refeições não serem todas banquetes caseiros de ingredientes orgânicos, da máquina fotográfica parada na estante, dos telefones, dos computadores e claro, do trabalho.
Esta semana a Carla fez anos e no fim do dia pegámos nele e fugimos para a praia.
O tempo parou, ele ria com tudo e nós riamos de tudo. No dia seguinte fiz o meu bule de chá fresco, trabalhei bem, deixei a agenda muito organizadinha com a loucura que se avizinha e preparei a mala para o fim de semana.
Foi preciso pararmos para percebermos que ele está maravilhoso, que o tempo dele está todo certo. Um dia de cada vez, ao seu ritmo, aprende tudo. Nós é que ainda não aprendemos que às vezes precisamos de saber parar».
Texto de Inês Maldonado.
António José Zuzarte, Costa da Caparica, 22 de Junho de 2016.

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